No silêncio do quarto, encaro o espelho,
há algo em mim que não sei decifrar.
Vejo um rosto, um traço, um velho conselho,
mas por dentro, quem será que há?
Meus olhos perguntam o que o tempo calou,
meus medos se escondem atrás do olhar.
Há cicatrizes que ninguém notou,
e sorrisos que aprendi a disfarçar.
O espelho mostra, mas também esconde,
o que sou, o que fui, o que finjo ser.
Entre reflexos e sombras, ele responde:
ninguém pode fugir de se conhecer.
Tento entender as versões que criei,
os pedaços que quebrei sem saber.
Quantas vezes fugi de quem amei,
pra não ter que me reconhecer?
Há dias em que o reflexo me acusa,
e outros em que ele só me observa.
Mas sempre, em silêncio, me recusa
a resposta que minha alma conserva.
Guardo perguntas que nunca fiz,
segredos que o tempo quis calar.
E mesmo assim, por trás do que diz,
minha essência tenta respirar.
O espelho não mente, mas também não cura,
apenas reflete o que tento esconder.
E entre o brilho e a moldura,
há alguém tentando sobreviver.
Sou mais do que o que se vê no vidro.
Sou tudo aquilo que sobreviveu comigo.
-
Autor:
😶🌫𖣂愛 (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 17 de fevereiro de 2026 22:31
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 2

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.