Ciclos de um Jardim

werner

Despertei além do jardim,

Onde lírios suportam, em pétalas afiadas, ciclos passados;

E troncos banham cerrações vespertinas que nem o Sol alcança.

Há uma nascente fosforescente que escorre ao leste,

E pedras nativas, encharcadas de realidade, imunes à fantasia.

 

Desperto, contemplo, o jardim reinventa.

Contemplo, acordo, o jardim transmuta.

 

Entre parapeitos de ametista e passarelas verdejantes,

Cítaras serafínicas deslizam cordas de vidro,

Espalhando prismas sobre a relva sem cansar seu brilho.

O vento leva evidências antigas,

Não posso cruzar além do entardecer vespertino.

 

Desperto, contemplo, o jardim ressoa.

Contemplo, acordo, o jardim acorda.

 

Em meu último despertar,

Visei vislumbrar o irreal, quase indistinguível;

Um festim de vertigens em um sono crepuscular.

Tão somente eufórico ao se decomporem minhas pétalas,

Atravessar além do que limita o empirismo óbvio.

 

Desperto, contemplo, me perco.

Contemplo, acordo, recordo.

  • Autor: werner (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de fevereiro de 2026 16:27
  • Categoria: Fantástico
  • Visualizações: 2


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