Decrépito de ânsia,
pesado de sonhos,
súbitos devaneios.
Grito suavemente
num sortido lateral de desespero.
Devaneios de alturas inimagináveis,
esguios,
varridos,
limpos.
Suavemente levanta o lençol do proibido
desesperadamente,
toma conta da realidade.
Mente,
diz o oposto de si mesmo,
mente.
Mente perdida no espaço vazio do universo,
da existência de um quase nada.
Confuso em tudo,
mudo.
Silencioso
como o entardecer de um local morto.
Ohh sorte vazia,
detestável acrotério,
insalubre,
sem cor ou vértice.
Seguindo um objetivo frágil,
desprezível,
que ofende o sentido estético da existência.
Cálida,
fria,
vazia.
Fala com tudo e todos,
tem estado em paz.
Há histórias piores que a sua,
há desgraças mais elevadas.
Há a possibilidade de reconstrução,
medo de retaliação.
Há infinitos jamais previstos
e fins jamais alcançados.
Dentre todos és mais um e de si,
nada espera,
nada teme.
O medo é externo,
o sonho não é o seu,
o alcance não cabe a ti
...a destruição é perene e a continuidade é pura.
Pura como o claro da aurora,
desfechada,
como o lençol perdido do além.
-
Autor:
Noétrico (
Offline) - Publicado: 17 de fevereiro de 2026 15:15
- Comentário do autor sobre o poema: Isso é sobre o ato de encarar a própria vulnerabilidade. Ele mostra como, ao levantar o “lençol” que cobre nossas ilusões, nos deparamos com o vazio, a mentira e a fragilidade. Mas também sugere que, mesmo nesse cenário, há espaço para reconstrução e continuidade. O paradoxo final: a destruição não é o fim absoluto, mas parte de um ciclo que pode se renovar. É um convite a aceitar a imperfeição da existência — reconhecer o vazio, mas também perceber que a aurora pode nascer mesmo depois da noite mais silenciosa.
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 1

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.