O Altar da Entrega: Ode à Vênus Prostrada

Versos Discretos

Sob a luz baça que o quarto consome,
Iniciamos o rito de tatos e anseios;
Minha mão, em trajeto que a sede não dome,
Desbrava o relevo de teus flancos cheios.
O hálito quente, em tua nuca, se aninha,
Desperta o arrepio que o sangue incendeia;
Tua pele, em resposta, à minha se alinha,
Enquanto o desejo as veias tateia.

Curvas-te então, em submissa elegância,
De joelhos e palmas no leito dispostas;
Exibes a glória, a divina abundância,
Dos vales e montes de tuas belas costas.
És loba, és musa, em postura de caça,
Arquitetura de um gozo latente;
Onde o instinto e a forma se fundem na massa,
Deste mármore vivo, de carne fremente.

Invado o santuário com ímpeto e zelo,
No ritmo arcaico que a vida desenha;
Tua coluna se curva em arco e novelo,
Enquanto o prazer em teu peito se entranha.
Minhas mãos, nos teus quadris, são amarras,
Guiam o curso desta dança visceral;
Tuas unhas no lençol, quais suaves garras,
Buscam o ápice no fluxo vital.

O clímax nos colhe em espasmo e bruma,
Onde a voz se perde em gemido profundo;
Da união sagrada, a alma se exuma,
Esquecendo as leis e o peso do mundo.
Na exaustão do triunfo, o corpo descansa,
Nessa pose que a história da carne eterniza;
Pois em tua entrega, minha paz se alcança,
E na tua nudez, minha fé se batiza.



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