111 - A MULHER E O HOMEM

Arthur Santos

A MULHER E O HOMEM

(Conversa imaginária com um amigo)

 

É verdade,

É como dizes.

Não há nada tâo objectivo,

Como a mulher e o homem.

Nada tão amoroso,

Nada tão reprodutivo...

 

Tudo começa tão carinhoso.

Tudo começa num acto de amor.

E não deveria começar sempre

Num acto de amor?

 

É verdade,

É como dizes.

O recém nascido.

O bébé.

A criança.

O principio da mulher e do homem.

São sempre assim os dois.

São os tempos da bonança.

As tempestades virão depois.

Muito depois.

 

É verdade,

É como dizes.

A pré-adolescência e a adolescência.

O pré-adulto e o adulto.

Toda uma vida.

Toda uma experiência

Alicerçada na mais pura inocência.

 

É o culto da vida.

Com mais ou menos sorte.

Mas sempre vida.

Sempre um objectivo.

Sempre um norte.

Sempre um festival.

As alegrias, as tristezas,

A inteligência, a burrice...

Quantas vezes a burrice!

 

É verdade,

É como dizes.

A pré-velhice e a velhice.

Então?

Depois da primavera e do verão

Vem sempre o outono e o inverno!

 

Mas no inverno, ,

No inverno há NATAL!

A velhice

Não é o inferno!

A velhice

Não é uma causa perdida!

A velhice

É apenas uma fase da vida!

Não é um corte.

É o Natal.

Continua a haver

Um objectivo!

Continua a haver

Um norte

 

É verdade,

É como dizes.

Um dia será o dia final.

Chegará a morte.

A portadora de afliçöes.

Tantas pessoas defuntas.

Eu também tenho questöes.

Eu também faço perguntas.

 

Será que se reencarna?

Será que na morte,

Desculpem a irreverência,

Será que na morte

Também há sobrevivência?

Então?

Será sim ou será nâo?

 

Será que com a morte

Tudo acaba ali?

À toa?

Será que uma pessoa,

Tal como tu te interrogas,

Ama, é amada,

Trabalha, Constrói, cria,

Vive a tristeza, vive a alegria,

Estuda, tira cursos,

Encontra-se, sente-se perdida,

Sobrevive à vida

E depois tudo acaba ali?

Num repente?

Estupidamente?

Inexplicavelmente?

Acabará?

 

Não te sei responder .

Mas mesmo que acabe.

Nada do que se fez

É coisa perdida.

Perdeu-se

Uma certa forma de vida.

 

Mas viveu-se!

Viveu-se!

 

  • Autor: Arthur Santos (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de fevereiro de 2026 08:44
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
Comentários +

Comentários2

  • Oswaldo Jesus Motta

    Belas palavras! Linda reflexão, Poeta! Abraços poéticos.

  • Versos Discretos

    Belo texto amigo.



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