Nem chá, nem choro.
Nem o amargo do café, nem o estalo do biscoito.
Nada mais sustenta o peso do dia.
Ela se foi no eco de um sussurro: - Eu preciso de você.
Enclausurada nos lençóis, a mente é um carrossel desgovernado.
O mundo rodopia, alucina, entre doses medidas e frascos vazios.
Dizem que morrer é poético; eu só anseio pelo silêncio do verso final.
Não há frio, não há tato.
Habito a fresta entre o limbo e o agora,
onde os sonhos têm gosto de sal.
Seria isso a morte?
Ainda resta um sorriso pálido, nos olhos que pesam, quase rendidos.
O ar se torna um luxo, o adeus, um suspiro interrompido.
Não pergunte do que ela morreu.
O fôlego simplesmente cansou de lutar contra a gravidade.
Parou de respirar...centímetro por centímetro.
E no último átomo de consciência, o rastro de uma falta: -Preciso de você.
-
Autor:
Fenix (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 16 de fevereiro de 2026 14:29
- Categoria: Amor
- Visualizações: 3

Offline)
Comentários1
Belo poema!
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