Não fomos apenas gerados,
estamos sendo ativados a todo momento.
Há códigos dormindo em nossas células
que despertam ao toque do afeto
ou ao corte do medo.
O DNA não é sentença,
é partitura esperando ambiente.
Somos herança,
mas também atualização.
O cérebro, esse arquiteto inquieto,
derruba paredes antigas
e redesenha mapas internos
cada vez que choramos, meditamos, corremos,
cada vez que alguém nos olha
como se fôssemos reais.
Nada em nós é estático.
Nem mesmo o “eu”.
Chamaram de intuição o que o corpo já sabia.
Antes da palavra, há pulso.
Antes do pensamento, há tensão muscular.
O ventre percebe o que a lógica demora a admitir.
Somos sistema nervoso em diálogo
com histórias que não começaram em nós.
Traumas atravessam gerações
como rios subterrâneos.
Culturas carregam cicatrizes invisíveis.
Civilizações repetem medos antigos
com novas tecnologias.
E no meio disso a pergunta muda:
Se máquinas já calculam melhor,
escrevem melhor, analisam melhor,
o que nos resta?
Resta sentir.
Resta essa combustão silenciosa
que nenhuma linha de codificação experimenta.
Resta amar mesmo quando dói.
Resta escolher ética, fazer o bem,
quando o lucro grita.
Talvez não sejamos apenas matéria.
Mas também não sejamos só luz.
Somos a fenda
onde o universo aprende
a ter consciência de si.
Somos interface.
Entre química e significado.
Entre instinto e compaixão.
Entre sobrevivência e transcendência.
E talvez a maior descoberta
não esteja nos laboratórios,
mas na coragem de integrar
todas as camadas
sem negar nenhuma.
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Autor:
Amanda S. Moraes (
Offline) - Publicado: 15 de fevereiro de 2026 00:46
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4

Offline)
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