Nem Trevo, Nem luz

Ikalituc 🌻🍀

O vento, a alma, o girassol e o trevo,

São coisas distintas, cada qual com seu relevo.

 

O vento sopra sentimentos no ar,

Traz lembranças antigas, faz o peito apertar.

Às vezes carrega um cheiro, uma doce emoção,

Um perfume guardado no fundo do coração.

Ele vai e volta sem nunca se prender,

Mas deixa em nós marcas difíceis de esquecer.

 

A alma… é nela que sabemos quem somos,

É morada dos sonhos e dos nossos tombos.

É na alma que ficam as dores sentidas,

A raiz da história das nossas vidas.

Tudo o que passamos, o que fomos, o que somos,

É chama acesa mesmo em dias sem outonos.

A alma fica presa em nosso corpo ferido,

Ou às vezes parece ter partido.

Mas é tesouro sagrado, luz que acalma,

Algo precioso... devemos cuidar da alma.

 

O girassol… ah, o girassol,

Sempre de frente pra luz do sol.

Mesmo em dias nublados, escolhe brilhar,

Ensina o coração a não se apagar.

Já quis ser girassol na vida de alguém,

Ser riso constante, fazer o bem.

Mas às vezes tentei, e não fui nada,

Nem luz acesa, nem chama dourada.

Talvez fui silêncio, talvez fui dor,

Talvez não enxergaram o meu valor...

 

O trevo representa a sorte, o raro encontrar,

Algo difícil no mundo de achar.

 Uma cor tão linda, gigante no sentir,

Quando chega, faz a vida florir.

Eu já encontrei um trevo em minha mão,

Raro, bonito, cheio de emoção.

Mas o perdi no meio do caminho,

E levou com ele um pedaço de carinho.

Quando se perde, dói no coração,

É como arrancar um pedaço da emoção.

 

Agora te digo… já parou pra pensar

O que você é no olhar de alguém ao passar?

Será um girassol que ensina a viver?

Um trevo de quatro folhas difícil de esquecer?

Ou o vento que toca, mas não quer ficar?

Você já tocou a alma de alguém sem notar?

 

E eu… o que sou? Fico a imaginar,

Às vezes choro escondida, sem ninguém notar.

Sou alguém de verdade? Sou boa? Sou luz?

Ou sou só escuridão que a vida conduz?

Será que alguém me vê como algo raro?

Como um trevo guardado, cuidado e claro?

Será que se alegra com a minha presença,

Ou sou só silêncio, ausência imensa?

Será que já fui luz pra alguém um dia,

Mesmo sem saber, leve e macia?

 

A vida é tão estranha, tão cheia de véus…

Nos deixa pequenas diante dos céus.

Às vezes me sinto folha caída no chão,

Pisada pelo tempo, sem direção.

Um vento que passa e ninguém percebe,

Uma voz que ecoa, mas ninguém recebe.

 

Talvez eu seja só pergunta sem fim,

Um quase amor que não foi pra mim.

Talvez eu seja sombra no entardecer,

Que existe por pouco… e logo vai morrer.

E no silêncio da noite, quando tudo se cala,

É minha própria alma que comigo fala:

Mesmo quando você acha que não é nada,

Há uma dor aí dentro que prova que é estrada.

 

Mas ainda assim me pergunto, em solidão profunda:

Se sou luz que se apaga…

Ou escuridão que nunca se ilumina.

  • Autor: Consulado (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 14 de fevereiro de 2026 21:35
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 6
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