No peito do chão, onde a luz não se atreve, O mundo é um círculo de um céu distante. Lá embaixo, o tempo é úmido e breve, E o silêncio é um bicho, pesado e constante. O fundo do poço não tem escada, É pedra lisa, limo e esquecimento, Onde a alma, de tanto ser castigada, Aprende a beber do próprio lamento.
Mas lá no alto, em vigília severa, Resiste o braço de madeira e metal. A manivela — velha quimera — O único elo com o plano vital. Ela range o dente, reclama do peso, Morde a corda que o abismo engoliu, Pois sabe que o balde, por mais que esteja preso, Guarda a sede de quem nunca desistiu.
É um jogo de força, de volta e de giro, Um combate lento contra a gravidade. Cada rangido é como um suspiro Que arranca o rastro da obscuridade. E quando o balde enfim toca o dia, Transbordando o que era só solidão, A água reflete, em pura alegria.
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Autor:
Poesia Abandonada (
Offline) - Publicado: 13 de fevereiro de 2026 16:34
- Categoria: Não classificado
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