VERSO E REVERSO

Vilma Oliveira


Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES

Debaixo da árvore do sol

Vi meu sonho alvorecer

Como se faz um poema

Com asas de borboleta

Sobrevoando dois versos

Como se ter ou não ter?

 

Debaixo da árvore da noite

Vi meu sonho se esconder

Como se faz uma estrela

Com um brilho prateado

Iluminando o luar...

Como se ver ou não ver?

 

Debaixo da árvore da vida

Vi meu sonho renascer

Como se faz uma flor

Com pétalas, perfume e cor,

A irradiar tanta beleza

Como sentir ou não sentir?

 

Debaixo da árvore do mundo

Nem vi o sol que desponta

Nem vi a noite que dorme

Nem vi a vida que geme

Eu vi o poema que grita

Eu vi o luar que pranteia

Eu vi meu sonho que canta!

 

  • Autor: Vilma Oliveira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 11 de fevereiro de 2026 20:20
  • Comentário do autor sobre o poema: Breve análise sobre este poema: Você utiliza quatro arquétipos para dividir a experiência humana: A Árvore do Sol (O Despertar): Representa a clareza e a criação. O sonho aqui é leve como "asas de borboleta", sugerindo que a inspiração inicial é frágil e volátil. O dilema "ter ou não ter" evoca a posse da ideia poética. A Árvore da Noite (O Oculto): Representa o subconsciente e o mistério. O sonho não morre, mas se "esconde". Aqui, a dúvida muda para "ver ou não ver", tratando da intuição e da capacidade de enxergar o que brilha na escuridão. A Árvore da Vida (O Sensorial): Representa a materialização e a beleza. O sonho "renasce" como flor, com "perfume e cor". O dilema evolui para "sentir ou não sentir", focando na experiência emocional pura. A Árvore do Mundo (A Realidade): É a síntese e o choque. É onde os ciclos naturais (dia/noite) perdem a importância diante da urgência da alma. Os versos finais de cada estrofe ("ter ou não ter", "ver ou não ver", "sentir ou não sentir") remetem ao clássico "ser ou não ser". Isso mostra que, para você, a existência não é uma questão abstrata, mas algo ligado à capacidade de processar o sonho através dos sentidos. Na última estrofe, ocorre uma inversão poderosa. Você deixa de ser um observador passivo da natureza para testemunhar a humanização das coisas: O poema não é lido, ele grita (expressão de dor ou urgência). O luar não apenas brilha, ele pranteia (melancolia). O sonho não apenas existe, ele canta (celebração/triunfo). O encerramento sugere que, enquanto o mundo "geme" ou "dorme", o poeta é aquele que consegue ver a "voz" das coisas. O "poema que grita" é a prova de que a arte é a reação final e mais autêntica diante do peso do mundo. É um texto que começa de forma delicada e bucólica (borboletas, flores) e termina de forma visceral e sonora (grito, pranto, canto).
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 43
  • Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino, Lauraa
Comentários +

Comentários1

  • G. Mirabeau

    Belo poema . Prefiro defini-lo em duas palavras: bucólico e suave. Parece que foi feito dançando uma valsa leve e morna.

    • Vilma Oliveira

      Boa tarde poeta! Sempre grata por sua leitura e comentário atencioso.
      Meu abraço poético. Tenha um final de semana abençoado.



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