Entre o que sinto e o que ouço!

Josi Moreira

Não carregar o peso do outro
não é virar as costas,
não é fechar os ouvidos
nem endurecer o coração.

É saber que cada alma
tem seu próprio caminho,
suas pedras, suas travessias,
seus aprendizados.

Eu não preciso viver
a dor que não é minha,
mas posso oferecer abrigo
no silêncio que escuta,
na presença que acolhe.

Não preciso me exaurir
no eco das reclamações,
nem afundar na tempestade alheia —
mas posso ser porto,
posso ser farol.

Empatia não é se perder,
é saber sentir
sem se dissolver.

É distinguir
onde termina o teu chão
e começa o meu,
para que eu possa estender a mão
sem deixar de estar de pé.

Autocuidado não é egoísmo,
é raiz firme na terra
para que o galho possa oferecer sombra.

Entre o meu e o teu
há um espaço sagrado:
o limite.

E é nele
que mora o amor maduro —
aquele que apoia,
mas não se abandona. 



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