Ensina-me
não a ser perfeito —
mas ser seu.
Como quem aprende a segurar uma xícara quente
sem queimar os dedos
e sem derramar o que importa.
Às vezes eu te amo
no intervalo entre duas mensagens que não envio.
Fico olhando a tela apagada
como quem olha o mar à noite —
sabendo que ele está ali,
mesmo quando não se vê.
Ensina-me a ser amável aos teus olhos
quando estou distraído,
quando respondo curto demais,
quando o medo me fecha
como janela antes da chuva.
Há dias em que sinto sua falta
mesmo sentado ao seu lado.
Uma saudade antecipada,
dessas que chegam antes do adeus
como cheiro de terra
antes da primeira gota.
Não é falta de amor.
É excesso de medo.
Medo de que meus silêncios pareçam distância,
de que minhas imperfeições façam sombra
no que em mim é luz para você.
Ensina-me a ser amável aos teus olhos
quando o cansaço me deixa opaco,
quando minhas palavras saem tortas
e eu não sei explicar
que dentro do peito
há um jardim tentando florescer
mesmo em terreno seco.
Eu te amo nas coisas pequenas —
no café que deixo mais fraco porque você prefere,
no travesseiro ajeitado antes que você perceba,
no cuidado de não acordar seus sonhos
quando levanto mais cedo.
É pouco, eu sei.
Mas é inteiro.
Se eu pudesse,
te entregaria um amor seguro,
sem rachaduras.
Mas o que tenho são mãos trêmulas
e um coração que aprende devagar.
Então me ensina.
Com teu olhar pousado em mim
sem pressa,
como quem afaga um animal arisco
até que ele entenda
que pode ficar.
E se um dia eu parecer distante,
olha de novo —
talvez eu esteja apenas tentando
ser melhor
para continuar cabendo
no lugar exato
onde teus olhos
me guardam.
10 fev 2026 (13:33)
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Autor:
Melancolia... (
Offline) - Publicado: 11 de fevereiro de 2026 12:33
- Comentário do autor sobre o poema: Sigo triste...Sempre triste....
- Categoria: Triste
- Visualizações: 7
- Usuários favoritos deste poema: Melancolia...

Offline)
Comentários1
genuíno! não preciso dizer muito, a poesia já diz.
Gratidão Isabella....
Seu comentário engrandece muito ....
Não desaparece viu...
Abraços;
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