O lúdico x O rude

Laísa Lorena

Achei que grandes abatimentos só se vivia uma vez
mas o desgosto sempre volta, 
volta de outras formas
volta da mesma forma.

Queria eu fazer coisas belas com minhas mãos 
queria eu criar sonhos materializados nos chãos,
que piso a partir do sofrimento, à enfeitar o lamento. 

Mas só consigo alocá-lo num poema 
com palavras desagradáveis, 
hostis aos ouvidos mais medrosos,
pávidos de seu próprio ser a si mesmo 
quando o véu translúcido, suave, sublime,
de lantejoulas que levemente se ofuscam 
nas ondulações do vento,
não pôde mais cobrir a sua fera
o seu feio.  

Pois se engana quem acredita
que o apolíneo não encubra coisas vis, 
que não alimenta o prazer vaidoso e saboroso 
das próprias mazelas. 
E que o mal escancarado e asqueroso por vezes 
não esconda um sentimento belo, afável...

Pois, não é incisivo e penetrante 
quando sentido o desfigurado, o sujo, 
o repugnante, quando do grito de dor desafinado,
do choro não cinematográfico, dos versos sem deslumbramento
emana-se o sentimento mais bonito e mais casto?
Eu também quero saber o que é amor. 

  • Autor: Laísa Lorena (Offline Offline)
  • Publicado: 10 de fevereiro de 2026 23:09
  • Categoria: Perdão
  • Visualizações: 3
Comentários +

Comentários1

  • Arthur Santos

    Belo poema de amor...
    Eu também quero saber o que é amor...



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