Achei que grandes abatimentos só se vivia uma vez
mas o desgosto sempre volta,
volta de outras formas
volta da mesma forma.
Queria eu fazer coisas belas com minhas mãos
queria eu criar sonhos materializados nos chãos,
que piso a partir do sofrimento, à enfeitar o lamento.
Mas só consigo alocá-lo num poema
com palavras desagradáveis,
hostis aos ouvidos mais medrosos,
pávidos de seu próprio ser a si mesmo
quando o véu translúcido, suave, sublime,
de lantejoulas que levemente se ofuscam
nas ondulações do vento,
não pôde mais cobrir a sua fera
o seu feio.
Pois se engana quem acredita
que o apolíneo não encubra coisas vis,
que não alimenta o prazer vaidoso e saboroso
das próprias mazelas.
E que o mal escancarado e asqueroso por vezes
não esconda um sentimento belo, afável...
Pois, não é incisivo e penetrante
quando sentido o desfigurado, o sujo,
o repugnante, quando do grito de dor desafinado,
do choro não cinematográfico, dos versos sem deslumbramento
emana-se o sentimento mais bonito e mais casto?
Eu também quero saber o que é amor.
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Autor:
Laísa Lorena (
Offline) - Publicado: 10 de fevereiro de 2026 23:09
- Categoria: Perdão
- Visualizações: 3

Offline)
Comentários1
Belo poema de amor...
Eu também quero saber o que é amor...
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