No dia em que nasci,
meu pai nasceu comigo.
Enquanto eu aprendia a respirar,
ele implorava para continuar:
“Minha filha nasce hoje,
preciso vê-la crescer.”
Em outro hospital, na capital,
coração lutando sem igual,
disseram que seria muito difícil,
que talvez não desse.
Mas vendo meu pai chorar,
implorando para me abraçar,
o médico emocionado disse:
“Você vai conhecer a sua filha.”
Disseram que não seria fácil,
disseram que talvez não desse.
Mas ele ficou,
e eu cheguei.
Quando enfim chegou em casa,
mesmo com pontos da perna ao peito,
sem poder pegar peso,
ou ao menos me pegar no colo,
isso não foi barreira:
à noite, quando todos dormiam,
ele sentava, pedia,
e minha mãe me colocava no colo dele.
Naquele instante,
tudo que não podia,
tudo que foi difícil,
tornava-se amor.
Com o passar dos dias,
melhorando aos poucos,
ele me levava para passear,
no carrinho ou no colo, todos os dias.
Dois corpos lutando na mesma data,
dois nascimentos separados por quilômetros,
unidos pelo amor.
Desde então eu sei:
estar viva não é pouco,
é vitória, é sorte, é luta.
Eu fui escolhida para nascer,
e ele escolheu ficar.
Hoje não ouço a ligação,
não recebo o abraço físico,
mas a voz permanece em mim —
calma, firme, amorosa —
me dizendo o que sempre disse:
“A vida é um presente.
E você venceu para estar aqui.”
Daqui até às estrelas e além,
te amarei infinitamente, papai.
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Autor:
Vênus (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 10 de fevereiro de 2026 11:24
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: Shmuel, Vênus Não Terra

Offline)
Comentários1
Simplesmente maravilhoso! Impossível não se emocionar com esse poema.
Um forte abraço nobre poeta!
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