Sangue latino não corre, desfila.
É tambor clandestino sob a pele,
é verão permanente no pulso,
é fevereiro respirando dentro do peito.
Quando chega a semana do carnaval,
o planeta inclina o eixo só para nos ver passar.
Nascemos com o quadril alfabetizado em ritmo,
com a coluna escrevendo curvas no ar.
Carimbó gira como saia que conversa com o vento,
forró é joelho roçando destino no escuro aceso,
samba é ciência de tornozelo, rebolado ancestral, suor e sorriso.
Axé estoura como sol na testa da multidão,
funk é grave que pulsa na base da cidade,
salsa afia cinturas em diálogo incendiário,
lambada é maré equatorial subindo pela coluna.
E quando o rock rasga, a gente rasga junto;
quando o hip hop chama, o asfalto responde,
porque há molho na carne,
há molejo no osso,
há um compasso antigo que não cabe em partitura.
Beijamos como quem acende fogos de artifício na própria boca.
Olhos atravessam fronteiras sem passaporte,
risada que desmonta muralhas,
mãos que sabem onde pousar o mundo.
Há uma alegria que não é distração,
é resistência coreografada.
Somos fruta madura e lâmina oculta.
Flor no cabelo, íris de onça.
Cavalo selvagem galopando dentro do vestido leve.
Sabemos amar alto, dançar fundo,
e proteger o que é nosso com unhas de aurora.
Quem vem de fora pensa que é só festa.
Mas quando escuta o tambor mais de perto,
entende:
não é apenas música é um idioma corporal que seduz,
é história pulsando em cada giro,
é um convite perigoso e irresistível:
entre,
mas
esteja pronto
para nunca mais querer sair.
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Autor:
Amanda S. Moraes (
Offline) - Publicado: 10 de fevereiro de 2026 00:29
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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