A neve cai, mas não brinca mais.
Ela só cobre o que eu não consegui salvar.
Disseram que ódio mantém de pé,
mas foi o cuidado que me fez ficar.
Cada contrato arrancou um pedaço,
e mesmo assim… eu daria mais um
se isso significasse vocês vivos.
O frio não veio do inverno.
Veio das escolhas.
Veio de entender que sobreviver
nem sempre é vencer.
Eu olhei o futuro nos olhos
e ele me sorriu com crueldade.
Não porque eu ia morrer —
mas porque eu ia morrer sozinho.
Se esse for o fim,
que seja protegendo, não odiando.
Que minhas mãos tremam de medo,
não de arrependimento.
Talvez essa seja minha sina:
amar em silêncio,
lutar no frio,
e desaparecer
sem nunca pedir pra ser lembrado.
Mas se alguém lembrar…
que seja como alguém
que tentou ficar quente
num mundo que só ensinou a congelar.
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Autor:
Adam (Pseudónimo (
Online) - Publicado: 9 de fevereiro de 2026 00:10
- Comentário do autor sobre o poema: Pra mim, esse poema é sobre aprender a viver com o frio quando ele já virou parte do corpo. Não é só o frio do ambiente, é o das perdas, das escolhas que não têm volta e da obrigação de seguir em frente mesmo cansado de existir assim.
- Categoria: Triste
- Visualizações: 1

Online)
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