Os fantasmas de meu labirinto sem fim ainda chamam-me, até meus olhos revirarem. O som de meu sangue circulando ecoa por estas paredes, que já forma mural de memórias. Tua voz não se passa de um retrato muito antigo que se desbota a cada dia. O abismo de teus olhos ainda perfura meus ossos, que ardem como em brasa. As lâminas de meu corpo, não fazem mais questão de perfura minha delicada pele, cheia de cicatrizes. O esmurrar de meu coração faz-me cair mais vezes do que posso respirar. O sol que me guiou por estes corredores sem portas agora cega-me como as pontas das estrelas, que fizeram-me exalar o cheiro metálico que me enoja. As ondas do mar quebram e me puxam até as profundezas de minha alma, onde jamais a luz foi capaz de chegar e teu toque jamais curou. O martelar que me força a insistir quebra meus ossos, como o vidro que vira escândalo quando se encontra ao chão. A voz de minha culpa ainda rasga-me, como arames farpados que prendem sem intenção de soltar. A felicidade que antes segurava minha mão abandonou-me, quando as cores já não eram brilhantes. Tua ausência ainda aperta meu peito, mesmo que punhais possam transpassá-lo livremente. Meus olhos, que pesam, não enxergam mais o labirinto que me prende, mas o sangue espesso que ainda escorre. Tua partida arrancou de mim o coração de pedra que pesava com teu nome.
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Autor:
Espirais em confusão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 8 de fevereiro de 2026 21:57
- Comentário do autor sobre o poema: O sol ainda cega-me como a ponta das estrelas.
- Categoria: Triste
- Visualizações: 3

Offline)
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