Poças

L.Dutra

POÇAS

A chuva cai em gotas,

fazendo no chão poças.

As lágrimas derramam

todas as outras gotas.

Sentimentos são detalhes

derramados em poças.

Meu peito é uma poça

onde se acumulam gotas.

Meu coração é vazio

e se preenche como poças:

gota em gota,

até transbordar.

A chuva cai

e o tempo muda.

Nada do que já foi

volta

ou será novamente

como um dia já foi.

O passado corrói como ácido.

Memórias são gotas,

as gotas caem nas poças.

Sangue corre nas veias,

veias são caminhos de rios

que também formam poças.

No mar infinito,

além do paraíso,

formam-se gotas

e mais poças.

Indefinido como o amor,

abstrato como o sentimento

que nasce em meio ao sofrimento,

encharcado de expectativa

e afundado pela realidade.

A dor.

A dor é a poça

que já se formou.

Lágrima a lágrima,

gota em gota,

ela se configurou.

Meu peito é como poças

preenchidas por sentimentos

encharcados pela chuva

da expectativa

destruída pela realidade.

Lamentos.

Dor ou sofrimento:

lágrimas são gotas

que formam poças

de eternos lamentos.

Meu peito é um balde despejado.

Ontem eu era feliz.

Hoje

eu já nem sei

se devo ser ou não.

Não sei se devo dizer

ou me prender

a algo que não sei

se posso segurar.

Rosas são vermelhas.

Gotas são gotas.

Nada importa.

Tudo importa.

Dualidade formada

gota em gota:

dor e amor,

poças e rios,

lágrimas e gotas,

cheio e vazio,

eu e você,

sol e lua,

mar e rio,

quem chora

e quem sorriu,

o início e o fim,

o meio-fio,

a vida e a morte,

a má

e a sorte.

O leito de morte.

  • Autor: L.Dutra (Offline Offline)
  • Publicado: 7 de fevereiro de 2026 07:09
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3
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