POÇAS
A chuva cai em gotas,
fazendo no chão poças.
As lágrimas derramam
todas as outras gotas.
Sentimentos são detalhes
derramados em poças.
Meu peito é uma poça
onde se acumulam gotas.
Meu coração é vazio
e se preenche como poças:
gota em gota,
até transbordar.
A chuva cai
e o tempo muda.
Nada do que já foi
volta
ou será novamente
como um dia já foi.
O passado corrói como ácido.
Memórias são gotas,
as gotas caem nas poças.
Sangue corre nas veias,
veias são caminhos de rios
que também formam poças.
No mar infinito,
além do paraíso,
formam-se gotas
e mais poças.
Indefinido como o amor,
abstrato como o sentimento
que nasce em meio ao sofrimento,
encharcado de expectativa
e afundado pela realidade.
A dor.
A dor é a poça
que já se formou.
Lágrima a lágrima,
gota em gota,
ela se configurou.
Meu peito é como poças
preenchidas por sentimentos
encharcados pela chuva
da expectativa
destruída pela realidade.
Lamentos.
Dor ou sofrimento:
lágrimas são gotas
que formam poças
de eternos lamentos.
Meu peito é um balde despejado.
Ontem eu era feliz.
Hoje
eu já nem sei
se devo ser ou não.
Não sei se devo dizer
ou me prender
a algo que não sei
se posso segurar.
Rosas são vermelhas.
Gotas são gotas.
Nada importa.
Tudo importa.
Dualidade formada
gota em gota:
dor e amor,
poças e rios,
lágrimas e gotas,
cheio e vazio,
eu e você,
sol e lua,
mar e rio,
quem chora
e quem sorriu,
o início e o fim,
o meio-fio,
a vida e a morte,
a má
e a sorte.
O leito de morte.
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Autor:
L.Dutra (
Offline) - Publicado: 7 de fevereiro de 2026 07:09
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3
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