Desisto de tentar compreender essa saudade insana, mesmo sendo ignorado e tantas vezes desprezado por você. Não vou mais buscar explicar o que sinto por meio de palavras e gestos que pouco revelam a intensidade do meu afeto. Você esqueceu a tristeza que, dia após dia, insiste em visitar meus desejos quando surge o sol prateado.
Sonhei inúmeras vezes em brincar no teu corpo, fazê-la repousar em meu peito. Juro, desejaria entendê-la ao menos uma vez! Saber por que tanta indiferença, tanta mudança, tanto desdém. Aflito, calo-me diante da incapacidade de fazê-la perceber que sou mais teu do que meu. Não adianta construir sem antes erguer um alicerce sólido... você não compreende.
Muitas vieram, tantas se foram, mas você permaneceu. E por que logo você, razão de toda minha inspiração, que sequer se esforça para aceitar o carinho que lhe ofereço? Logo você, que inventou o amor, já não lembra o que é ternura. Não peço que aceite, apenas que respeite o que sinto... Como dói o desprezo!
Estranha sensação que seus comentários sempre provocam: magoam, ferem, dilaceram. Um choro sem voz, dor silente, ardência sem lágrimas, melodia sem som, adeus disfarçado de até breve. Talvez seja essa uma das piores angústias que a vida nos impõe além da perda. Os anos passaram, mas ainda guardo teu cheiro, teu toque, teu jeito. Muitos dizem ser tolice criar expectativas, mas ninguém ensina como aceitar ou esquecer. Eu queria tanto aprender...
É o tempo que não passa, a canção que não cessa, os momentos que não partem. Presença diária da tua ausência, que me incomoda por saber que serei ferido outra vez. Sequência interminável da angústia de desejá-la eternamente... Não aguento.
Explique-me: como pode irritar-se com elogios? Essa é a imagem que, por mais que eu tente, não consigo apagar. Ela que briga, maltrata, mas é linda. Sou réu confesso, e meu crime é ter seu nome gravado em meu coração, que não desistirá de apelar ao tribunal dos sentimentos mais profundos. Ainda assim, esforçar-me-ei para desistir, sofrendo, mesmo que toda essa luta seja em vão...
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Autor:
Oswaldo Jesus Motta (
Offline) - Publicado: 6 de fevereiro de 2026 15:55
- Categoria: Carta
- Visualizações: 4

Offline)
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