Amar foi aprender a esperar.
Não como quem fica parado, mas como quem confia que o tempo sabe mais do que a pressa. Eu aprendi isso vivendo dias que não prometiam nada e, ainda assim, pediam tudo de mim.
Nunca soube como seria o amanhã. Havia dias em que o mundo parecia simples: acordar, tomar o café de sempre, repetir gestos conhecidos. Em outros, o tempo corria contra, roubava palavras, encurtava encontros e me ensinava a engolir sentimentos que não cabiam em explicações fáceis.
O amor não chegou pronto. Não veio em forma de certeza, nem em linhas retas. Veio em idas, voltas, silêncios longos e tentativas sinceras. Veio quando duas pessoas se encontraram fora de hora, mas na mesma sintonia de sentir. E isso, eu descobri, é raro.
Os dias passaram. Passaram enquanto a gente se conhecia, enquanto se afastava, enquanto aprendia a voltar diferente. Em algum ponto, o que era confusão virou reconhecimento. Não foi paixão barulhenta — foi calma. Não foi promessa — foi presença, mesmo quando distante.
Houve espera. Houve dor. Houve fé.
Porque algumas histórias não se constroem no agora, mas no intervalo entre um adeus e outro. Porque nem tudo que é verdadeiro acontece rápido. E porque o tempo de Deus não corre: ele prepara.
Eu nem sempre soube dizer o que sentia. Muitas vezes, só senti. E você esteve ali — não interrompendo, não corrigindo, não exigindo explicações. Apenas escutando. Em silêncio. Como quem entende que certas histórias não pedem respostas, pedem acolhimento.
Se amar foi aprender a esperar, esperar também virou um gesto de coragem. E sobreviver a tudo isso me ensinou que há pessoas que não precisam falar muito para marcar profundamente.
Por isso, escrevo.
Para agradecer a quem me escutou quando nem eu sabia me explicar.
A quem ficou quando tudo parecia provisório.
A quem respeitou minha história, mesmo sem conhecê-la inteira.
Com verdade,
eu.
-
Autor:
Brunna Keila (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 5 de fevereiro de 2026 22:23
- Categoria: Carta
- Visualizações: 5

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.