Antropomorfização

Arthur Vidigal

Não há caminho se não sabes onde chegar,

mas havia uma pedra 

sem destino ela foi companheira 

me acompanhava enquanto à chutava 

me divertia sem reclamar,

parecia besteira.

Eu à chutava distraído, e ela seguia silenciosa,sem reclamar.

parecia uma brincadeira sem importância,mas na solidão da estrada aquela pedra ganhou presença.

Tornou-se companhia,quase um diálogo mudo entre nós dois.

Por um tempo seguimos juntos.

ela rolava à frente,e eu alcançava,e assim a jornada se tornava menos árida.

Até que chegou o momento em que precisei levantar os olhos e enxergar a minha frente. 
O caminho me chamava para além da distração, e a pedra ficou para trás.

Senti tristeza.

Havia apego naquela relação improvável,

Mas compreendi :o propósito dela era apenas me acompanhar até ali.

Força-la a seguir seria insistir em um caminho perdido. 

Segui em frente.

A pedra permaneceu no chão,guardando o trecho que percorremos juntos.

E eu aprendi que até o que parece insignificante pode nos ensinar sobre companhia,despedida e sobre a necessidade de continuar. 

  • Autor: Arthur Vidigal (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 5 de fevereiro de 2026 10:40
  • Categoria: Natureza
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: Camila Miranda Vidigal


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