A cena é primordial.
Crianças soltam pipas por campos de girafas.
Navalhas dançam por pescoços; e que grande tragédia é quando os arrancam.
Maior tragédia é quando dançam no chuveiro de sangue:
Aqueles que aprendem rápido tendem a tomar o mundo,
aqueles que aprendem com os maiores, tendem a se tornar um fruto belo e maduro.
Arrebentam-lhe as margaridas com pés de pequenos soldados,
caminham para a grande encruzilhada de caminhos iguais,
repleta de escolhas erradas.
A cena é agora agonizante.
Os homens apostam corrida pelo tapete de fogo.
Passadas de geração em geração, tradições de tortura;
ensinamentos de penitência, a dor como substituta justa de um Deus de generosidade.
A alma clama por ideias brutas e simples.
De que vale deter a estupidez, quando ela sempre será mais vasta?
De que adianta parar a violência, quando esta será devolvida como resposta?
Por que ousar sonhar, ousar viver, ousar sentir, mesmo quando isso dói,
quando a resposta mais fácil sempre estará lá?
A cena é óbvia.
Calos, essas são as recompensas da maratona.
Calos, para aqueles que ainda têm lugares para se ter.
Calos na mente, para se distanciar da memória da dor.
Calos no coração, para não afrouxar.
Mofo para aqueles que têm medo.
Mofo para aqueles que nunca aprenderão.
Mofo no vinho para esconder o gosto da uva podre.
Mofo no pão para tornar o corpo mais fácil de devorar.
E os homens bons se apagaram com o tempo,
um dente-de-leão desmazeladamente dispersado
por um soprador de folhas cansado.
-
Autor:
Marujo (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 5 de fevereiro de 2026 02:53
- Categoria: Triste
- Visualizações: 1

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.