SOBRE O AMOR

Charles Araújo


SOBRE O AMOR
Quem sobre o amor dirá?
Tão breve se perde em seus labirintos!
Voraz, manso, intenso, sublime,
Quem há de sair ileso de suas mil faces?
Poderás acaso provar
E desvencilhar-se dos seus desejos?
Poderá um mortal viver sem amor?
Quem ousará descrevê-lo por inteiro?
Vida após vida, ele se entrelaça
Entre os mortais, sem jamais se afastar.
Traz a dor e a felicidade
A paz e o tormento,
Com a mesma mão que acaricia, fere.
Ah, pobres mortais
Enredados em suas armadilhas,
Tornam-se cativos de algo
Que nem mesmo a razão pode explicar.


O amor não chega:
desperta.
Como fogo antigo sob a cinza,
arde sem pedir forma
e ilumina antes de queimar.
-+-
Caminhamos por ele
como quem atravessa um deserto sem mapa.
Cada passo é risco,
cada desvio, aprendizado.
Há trilhas que salvam,
outras nos ensinam a cair.
-+-
Um fio invisível nos sustém
sobre o abismo do sentir.
Tão fino que parece ilusão,
tão firme que nos impede o vazio.
É por ele que seguimos,
mesmo tremendo.
-+-
O amor nos oferece vertigem:
olhar para dentro e perder o chão,
aceitar que a queda também revela.
Na altura do afeto,
o medo e o encanto dividem o mesmo espaço.
-+-
A razão observa em silêncio,
anota, calcula, tenta nomear.
Mas o amor não cabe em suas margens:
é excesso, é sobra, é mistério.
-+-
E assim, frágeis e vivos,
continuamos a arder,
a caminhar,
a nos equilibrar no fio —
porque viver, sem esse risco,
seria apenas existir.


Quem ousa falar do amor sem sangrar?
Mal se anuncia, já nos empurra ao abismo.
É fome que não se sacia,
É colo que falta no instante seguinte.
Quem atravessa seu nome
Sem perder algo de si?
Seria possível desejá-lo
Sem pagar o preço da entrega?
Há peito que suporte
Viver inteiro sem nunca ter amado?
Quem conseguiria medi-lo em palavras?
Vida após vida, ele insiste,
Retorna como um erro repetido,
Habita o homem como uma condenação.
Traz alegria breve e dor duradoura,
Alívio que dura um suspiro,
Com a mesma mão que promete abrigo, rasga.
Ah, miseráveis mortais,
Arrastados por sentimentos que não pediram,
Prisioneiros de algo
Que a razão observa — e falha em salvar.


O amor vai te deixar doida às vezes,
eu confirmo com a xícara tremendo na mão
e o relógio piscando três da manhã
como quem pergunta:
“vai dormir ou vai sentir mais um pouco?”
***
Ele me rouba o sono
e devolve pensamentos desalinhados,
mas jura — com cara de quem sabe —
que é a única coisa que realmente importa.
Eu desconfio,
filósofa de pijama,
mas deixo passar.
***
Se joga, ele diz.
Se permite sentir.
Como se sentir fosse uma piscina rasa
e não esse mergulho às cegas
onde a gente aprende a respirar diferente.
***
Se doer, tudo bem:
a gente toma um café e conversa.
Eu gosto dessa parte.
O café entende,
o açúcar pondera,
e a dor, educada,
fica sentada esperando sua vez de ir embora.
Mas não se fecha —
fechar é uma forma elegante de desaparecer.
***
A vida só vale a pena
quando a gente se arrisca a gostar de alguém,
repito isso como um mantra torto,
igual senha anotada no fundo da bolsa:
não resolve tudo,
mas ajuda a entrar.
***
O amor é um boleto de felicidade.
Chega sem aviso,
sem remetente,
e com vencimento emocional.
Se não cuido,
cobra juros de saudade
— altos, acumulados,
quase abusivos.
Mesmo assim, eu pago.
Parcelado em lembranças.
***
Ele entra na casa sem pedir licença,
derruba parede, troca o piso,
questiona minhas certezas decorativas
e nem pergunta
se eu gostei do papel de parede
que era minha identidade ontem.
***
Fico brava, claro.
Reclamo com o espelho,
negocio com o silêncio,
mas no fundo observo:
a casa bagunçada respira.
As janelas aprendem vento novo,
o chão range histórias,
e eu tropeço em mim mesma
com um sorriso sem defesa.
***
Talvez amar seja isso:
aceitar a reforma sem planta,
morar no paradoxo,
rir enquanto filosofa
e filosofar enquanto sente.
***
No fim — se é que existe fim —
a casa fica bagunçada,
eu também.
Mas vivas.


Sobre o amor,
ele não leva desaforo.
Não se curva ao medo,
nem negocia com a covardia
de quem só ama quando é fácil.
Amar é risco assumido,
é caminhar sabendo
que o chão pode faltar
— e ainda assim ir.
Não temo sofrer,
porque como disse Santa Terezinha,
amar é amar mesmo
quando dói.
Mesmo quando fere.
Mesmo quando não volta.
O amor verdadeiro
não promete proteção,
promete entrega.
E quem ama de verdade
aceita o sofrimento
não como castigo,
mas como prova
de que o coração esteve vivo.
Porque pior que sofrer por amor
é nunca ter amado
por medo de sofrer.


Sobre o amor…
Queria poder falar palavras brilhantes
Mas amar é algo tão extraordinário
Que fico até sem jeito de explanar isso
E no fim mostrar outro cenário
Sobre o amor, há tantas coisas
Vejo em cada detalhe vivido
Nas folhas que balançam perto do rio
Até mesmo dos pequenos cacos de vidro
Sobre o amor ao próximo
Eu me pego refletindo sempre
Para alguns se acabou por completo
Mas para outros é como abraço aquecido
Sobre o amor! Ah! O amor….


AMOR
É preciso ter um amor
Que te faça sorrir
Ao menos uma vez ao dia
Que seja teu bem querer
Abrigo nas tempestades
Esconderijo
E refúgio de paz
Um amor colorindo a vida
Como rosas nos jardins
Ou como o arco-íris
Em dias de chuva.
LEIDE FREITAS



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