97 - O NADA

Arthur Santos

O NADA

O que eu costumo dizer
é muito simples
não costumo dizer nada
prefiro a boca calada
para quê dizer?
as pessoas já não se ouvem umas às outras!
e quando ouvem
distorcem
ouvem aquilo que pensam que ouviram
ouvem aquilo que desejariam ouvir
 
por isso
e só por isso
o que eu costumo dizer
não se ouve sequer
porque não digo nada
não quero a minha palavra enjeitada
 
Mas penso
Ah! penso!

Comentários +

Comentários4

  • Wander Motta

    Mesmo calado, o pensamento permanece vivo, intenso e indomável. Parabéns pela poesia, viva e atual!

    • Arthur Santos

      Grato pelo comentário Poeta Wander. Abraço.

    • Oswaldo Jesus Motta

      A dificuldade de ser ouvido em um mundo onde cada um escuta apenas o que deseja, e isso torna o poema ainda mais profundo...Parabéns!

      • Arthur Santos

        Agradeço o comentário poeta Oswaldo.

      • LEIDE FREITAS

        Muito bom...até breve

        • Arthur Santos

          Agradeço a visita poetisa Leida.
          Até breve...

        • igor rebolho

          Linguagem simples a acessível, ligada integralmente ao cotidiano de hoje. E o mais impactante, seu profundo sentido e rica essência.

          • Arthur Santos

            Grato pelo seu comentário e interpretação do poema. Abraço.



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