O Tik Tok do Relógio

Oréon

Somos próle de uma sociedade feita de grãos de areia, construída, à frente de um mar revolto. As TVs, propagandas e redes nos exibiram uma vida de vitrine. E o mundo, nos trouxe o preço por espiar além da conta. Nosso futuro é todo dia inventado, fabricado, embalado, enfeitado e posto à venda, à frente de nossos próprios olhos como carne, oferecida aos famintos desesperados, num sistema onde só os oportunistas ceiam. Me diga, quando deixamos de ser os desfrutadores do progresso e viramos escravos da novidade? Será que há futuro em nosso futuro?

Lá fora, talvez não tão longe quanto pareça. Há um rebanho de ideias que seguem em uma única reta. Todas em uma só direção: a do abatedouro do algoritmo. Só se passa, aquela que estiver disposta a perder, a sua própria identidade e sua única essência. A vocês, só lhes digo uma coisa. Seja a ideia que eles não possam temporizar. Sejam o produto que não dê para anunciar nos intervalos. Negociem vocês mesmos, o pedaço que será vendido de seus mundos. E, boa sorte àqueles desse mundo de outdoor, onde todos competem para ver quem performa mais nesse balé, diante do relógio de instantes, e da banca, de telas gélidas e estáticas.

  • Autor: Oréon (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 3 de fevereiro de 2026 02:13
  • Comentário do autor sobre o poema: Trocadilhos
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 4


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