Na vida, existem diferentes tipos de atração e desejo. Alguns surgem no inconsciente, refletindo muito mais sobre nós mesmos do que sobre o outro indivíduo. É justamente esse tipo de desejo que, aos poucos, nos embosca — os mais fortes, ocultos e também os mais perigosos, caso não haja maturidade emocional para lidar com eles.
Precisamos encará-los de acordo com a realidade, para não acabarmos presos a esses sentimentos e reagindo apenas à emoção que nos conduz. Quando nos sentimos instigados por alguém, é necessário realizar uma análise cautelosa sobre as raízes dessa atração. Devemos nos perguntar:
“É um desejo viável?”
“Eu pretendo ter uma relação de longo prazo com essa pessoa?”
“Eu quero algo momentâneo?”
“Ou é uma atração reprimida que espelha algo em mim?”
É essencial que todas essas perguntas sejam respondidas com clareza. Assim, evitamos envolvimentos indevidos, relações confusas ou a dominação pelos próprios desejos, sem compreender verdadeiramente o que se quer.
É possível — e necessário — classificar as atrações e os sentimentos que nutrimos por alguém. Isso evita confusões e nos ajuda a nomear corretamente o que sentimos.
Às vezes, você gosta muito de um amigo ou amiga e cria um forte apego. Com isso, começa a se questionar se não deseja algo além da amizade. A amizade também é uma forma de amor, e essa confusão é natural, especialmente quando se compartilham momentos intensos. No entanto, quando há clareza na divisão dos sentimentos, entende-se que essa relação se encaixa perfeitamente no título de amizade — e que é ali que esses sentimentos pertencem.
Em outros casos, você pode conhecer alguém que mal conhece de verdade. Ainda assim, algo indefinido nessa pessoa te intriga. Muitas vezes, isso é resultado de uma projeção criada a partir de uma característica isolada ou do próprio desconhecimento. Você se apaixona pela ideia, pela impressão, não pela realidade. Esse tipo de desejo é uma emboscada, pois nasce da projeção, não da clareza. Para evitar frustrações e expectativas quebradas, o mais saudável é classificá-lo desde o início como amor platônico ou desejo reprimido.
Há também a relação definida, considerada a mais segura. Nela, existe clareza de intenções: duas pessoas se conhecem e estabelecem, de forma consciente, o que querem uma da outra, agindo de acordo com isso. Desde que não haja mentiras ou ocultamentos de nenhuma das partes, você sabe onde está se colocando. É improvável sentir nesse tipo de relação a mesma intensidade que se sente nas relações baseadas na projeção, pois são sentimentos distintos, construídos em contextos completamente diferentes.
Uma se refere ao consciente — dito, assumido e claro. A outra, ao inconsciente — oculto, carregado de projeções.
Inegavelmente, há muito mais chances de sermos puxados para o “escondido”, machucando a nós mesmos e aos outros.
Imagine estar em um relacionamento onde há clareza emocional e, mesmo sem querer, sentir-se atraído pelo desconhecido. Esses tipos de relação podem coexistir. Se você não for capaz de decifrar as raízes dessa atração, se tornará refém de emoções fortes e reações impulsivas.
O ser humano é naturalmente atraído pelo desconhecido.
Não podemos controlar o que sentimos, mas podemos controlar o que fazemos com aquilo que sentimos. Isso exige princípios e valores bem definidos.
Quando você compreende e classifica uma atração, consegue decifrá-la e assumir o controle. O que antes era oculto se torna conhecido. Quando não há entendimento, surgem as inquietações, a reatividade e o sofrimento.
Analise tudo.
Olhe para dentro antes de olhar para o outro.
As respostas estão em você.
“A ânsia de ter e o tédio de possuir.”
AG
- Autores: A.G (Pseudónimo
- Visível: Todos os versos
- Publicado: 1 de fevereiro de 2026 17:55
- Limite: 6 estrofes
- Convidados: Amigos (usuários da sua lista de amigos podem participar)
- Categoria: Reflexão
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