Me falta tempo pra ser feliz
porque os dias acordam antes de mim
e já chegam cobrando pressa.
O relógio não conversa,
ele ordena.
E eu obedeço, mesmo cansada.
A rotina corre mais do que eu.
Os horários se atropelam,
e os atrasos não são por descuido,
são porque um compromisso
sempre empurra o outro
para fora do lugar.
Nada começa inteiro.
Tudo começa no meio.
Às vezes falta ar.
Não porque o mundo seja pequeno,
mas porque ele exige demais
de um peito que só queria
respirar sem culpa.
Respiro curto,
como quem pede licença
até para existir.
Queria ser constante,
mas como ser firme
quando a vida me puxa
por todos os lados?
A constância exige calma,
e a calma não cabe
num dia que termina
antes de começar.
Não sobra tempo pra mim.
Não sobra tempo pra olhar o céu
sem pensar no próximo horário.
Não sobra tempo pra família,
pra mesa sem celular,
pra conversa que não tem pressa
de acabar.
A gente se ama em intervalos.
E dói perceber
que a felicidade não falta por ausência,
mas por adiamento.
Ela está sempre marcada
para depois.
Depois do trabalho,
depois das obrigações,
depois que a vida deixar.
Mas a vida não deixa.
Ela passa.
E eu sigo tentando aprender
que talvez ser feliz
não seja ter mais tempo,
mas não permitir
que ele me roube inteira.
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Autor:
Brunna Keila (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 29 de janeiro de 2026 10:56
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 3

Offline)
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