Tríade

Noétrico

Fiquei imerso no meu próprio universo,
uma distopia feita sob medida.
Sonhei devaneios.
Supri.

Diante do que não vi
— e ainda assim pesava —
procuro um lugar
que só existe se eu existir.

Fiz juras ao Eu inexistente.
Criei-o.
Fiz da inversão uma verdade.
Prendi-me nela.
Quando a realidade voltou, refiz-me.
Reconstruí.

Vi-me:
o estranho conhecido que sempre fui.
Entre todos,
risos,
gargalho,
a graça fácil.
A alegria performada.

A fachada.
Que realidade bela essa entregue a eles!
Gostam?
Não sei.
Querem.
Aceitam.

Fato.
Verdade.
Realidade.

Constructo.
Robótico.
Humano.

  • Autor: Noétrico (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de janeiro de 2026 09:18
  • Comentário do autor sobre o poema: Escrevi este poema para registrar um ciclo: criação, aprisionamento e retorno. O “eu” aqui não é identidade, é artifício — algo construído para suportar a realidade e, depois, desmontado. O que sobra é funcional, quase mecânico: humano não por essência, mas por adaptação.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 6


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