O luto daquilo que não carreguei nos braços,
mas levarei para sempre no coração.
Não consegui te ver.
Não sei como seriam teus olhos,
teu sorriso,
tuas mãozinhas.
Não ouvi tua risada,
nem tuas primeiras palavras.
Quando pensei que o luto já tivesse cessado,
que o tempo tivesse feito seu trabalho,
hoje — pelos olhos do teu pai — eu te vi.
Foi como uma mensagem de visualização única,
dessas que o cérebro não explica
e o corpo inteiro reconhece.
Eu te vi ali.
Vi teus olhos refletidos
nos olhos de quem eu tanto amo.
E me derramei.
Chorei como quem transborda oceanos
pelos próprios olhos.
Não pude compartilhar com ninguém.
Porque essa dor —
esse luto de te ter comigo
sem te ter nos braços —
é uma dor que poucos compreendem.
Não nos chamam de mãe
se não houve berço comprado,
se não houve roupinhas dobradas,
se a barriga não cresceu.
Mas eu nunca me senti tão tua,
e você tão meu,
como agora.
Eu te gerei.
Eu te amei.
Só não te carreguei no colo,
não te apresentei ao mundo.
Mas é para sempre.
Em cada célula,
em cada amor que eu puder oferecer,
você estará aqui —
bem aconchegado
no meu coração.
Para sempre, meu bebê.
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Autor:
Esterlar (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 28 de janeiro de 2026 20:08
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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