HOJE ESTOU CANSADO

Maximiliano Skol

Hoje um cansaço veio e me montou...
Sinto o peso dos anos
Precavejo os meus dias.
A companheira me anima:
Vai viver muito...
Deite, durma, descanse.
Vá lá o ar condicionado está ligado
Deite, descanse, durma...
Meu Ring Neck entrou em desespero, zangado.
Coitado, retirei-lhe os meus óculos
Sente-se sem esperanças
Frustrou-se e estremece as asinhas,
Inquieta-se, bica um pena, bica outra...
Sente que seu mundo já era,
Encontra-se tão só!!
Boceja, sofre da descarga de  catecolaminas...
Vem meu bichinho: dá o pé,
Fique no meu ombro...
No meu ombro, sinto o pulso dele.
Ele encosta a cabeça no meu pescoço.
Um gesto de confiança que desativa, em mim,
o sistema de alerta que o mundo me impõe.
O calor do seu peito atravessa o tecido da minha camisa
e comunica ao meu cansaço que a vida ainda queima,
Mesmo que em baixa voltagem.
Somos agora dois corpos trocando termodinâmica:
Eu lhe dou a estabilidade da minha carcaça exausta
Ele me dá o ritmo acelerado de um coração que não sabe mentir.
Neste silêncio de penas e pele,
a catecolamina cede lugar à homeostase.
Não há mais óculos, nem anos, nem perdas.
Há apenas o peso mútuo,
E a respiração que, aos poucos, se sincroniza
Até que o mundo lá fora se torne apenas um ruído
Que já não consegue nos alcançar...
Cansado como estou
Agora, à tarde, não vou levá-lo a passeio, como de costume.
Vou entretê-lo até  que sinta fome
Até que sinta sono.
Assim dormiremos
E juntos descansaremos...

Tangará da Serra, 27/01/2026.

  • Autor: Maximiliano Skol (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 28 de janeiro de 2026 18:09
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3
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