Quando eu estiver despida

Vitória Pac

Você ainda vai me amar despida
quando enxergar minhas cicatrizes e feridas?

Você ainda vai me amar nos meus momentos de chatice,
no silêncio,
nas brigas por coisas bobas?

Ainda vai me amar quando passar tempo comigo
e perceber que talvez eu não seja
tudo aquilo que você idealizou,
que faltam alguns parafusos —
ou que eles giram fora do eixo?

Ainda me amará nua
quando ver diante de seus olhos, 
 um corpo real e carregado de imperfeições ?

Você ainda vai me amar
na minhas dores e tristezas?

Ainda vai me amar nos dias mais comuns,
quando eu estiver desarrumada?
...  
Você ainda poderá me amar 
depois de despida?

  • Autor: Ser pensante (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 28 de janeiro de 2026 08:28
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 85
  • Usuários favoritos deste poema: Yves de Sá
  • Em coleções: Sobre o amor.
Comentários +

Comentários4

  • Sinvaldo de Souza Gino

    Parabéns, poetiza! Profundo o seu poema, revelam mistérios do relacionamento e um pedido de socorro, de ajuda para suprir o que falta, as cicatrizes fator histórico, às memórias construídas não foram positivas, porém há um desejo de reparação e de ajuda ao amante, não só pelo corpo nú, e sim pelo todo ser envolvido. O amor deve ser por completo, a essência do amor parte do diálogo, do olhar, do acolher bem, do entregar-se pelo outro!

    • Vitória Pac

      Belo comentário e uma ótima visão sobre esse poema!
      Realmente cicatrizes falam de experiências dolorosas...mas que a chegada de um amor pode cura-las.
      Obrigada por comentar e por gostar.
      Bom dia!

    • Noétrico

      Sensível e honesto: o poema expõe a vulnerabilidade sem artifício e transforma o amor em prova de permanência diante do real. Beira um suplício de desespero. Muito Bom.

      • Vitória Pac

        Agradeço por gostar! E, sim, é sobre poder ser vulnerável diante do outro apesar dos apesares...

      • Sezar Kosta

        Minha querida Sakura, li você e senti um soco suave bem no meio do peito. Esse teu texto tem um gosto de café frio e madrugada, de quem sabe que a beleza de verdade não está na vitrine, mas no que sobra quando as luzes se apagam.

        Sabe, a gente passa a vida inventando personagens para ser amado, mas o que você faz aqui é um ato de coragem: é abrir a porta e dizer "entra, mas não repara na bagunça — ou melhor, repara sim, porque essa bagunça sou eu". Suas cicatrizes e seus parafusos fora do eixo são as suas digitais mais bonitas. O amor que não suporta o desarrumado, o silêncio e o corpo real, cá entre nós, não serve para poetas como a gente. Seu poema me despertou uma vontade bonita de silenciar as idealizações e apenas abraçar o que é humano, cru e visceral.

        Que este ano você encontre — e seja — esse amor que permanece quando a última máscara cai. Um Ano de transparências, peles que se tocam sem medo e muita poesia na alma.

        Com todo o carinho do seu colega de letras, Sezar Kosta

        • Vitória Pac

          Comentário realmente pertinente. Temos que abraçar a realidade de um amor real, de quem se é e das nossas cicatrizes. Se for pra amar que seja por completo, os trejeitos e o jeito desajeitado... Haha. Esse mundo já anda superficial demais e cheio de máscaras pra que nós poetas sejamos mais um... Que nós sejamos diferentes e reais.
          Obrigada por comentar l, obrigada por gostar e agradeço os elogios feitos.

        • Carlos Hades

          Bravo



        Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.