Entre a chuva e a poesia

Ikalituc 🌻🍀

O dia estava chuvoso.

Calmo, sereno, silencioso,

como uma chuva que começa forte

e logo se recolhe,sem rumo ou sorte...

 

Era um dia bom pra descansar,

dormir, assistir TV, ou só pensar.

E ela vinha pensando demais,

mas sem agir ....permanecia em paz.

 

Tentava ser calma, aprender a ser,

virar calmaria em vez de se perder.

Tentava ser neutra, não se importar,

tentava, dia após dia, não ligar.

 

Tentava esquecer a culpa guardada,

agir como se nada tivesse acontecido...

Nada.

Passou por luto, passou por dor,

passou sozinha ...e seguiu sorrindo, apesar do temor.

 

Ela não entendia por que agira assim,

não era da sua índole, não era bem assim.

Talvez impulso, talvez carência,

ou uma paixonite.. sabe  dessas que dão presença.

 

Daquelas que fazem a gente se sentir vista,

importante, desejada, nunca invisível ou mista.

Porque alguém a viu, alguém a olhou,

alguém a quis… e isso a tocou...

 

Foi bom.

Real no momento.

Depois veio o peso do pensamento...

Ela não queria errar nunca mais,

havia tantas pessoas, tantos sinais, porque justo ela …

 

 Se preocupou,

tratou-a tão bem, virou porto, abrigo.

Passou segurança, cuidado, atenção,

e talvez ela tenha projetado demais o coração.

 

E nisso, ela se machucou.

Mesmo sem querer, sangrou.

Achou que tinha passado… quase passou,

mas ficou pensando no que não se falou.

 

Ela não contou a verdade inteira,

nem a história toda, verdadeira.

Não contou do luto vivido sozinha,

sangrando por dentro, sem colo, sem linha.

 

Não contou do trauma que ficou,

da cicatriz invisível que ninguém notou.

Talvez ninguém soubesse o que ela enfrentou,

o que viveu calada, o que sobreviveu, o que suportou.

 

Confiou em quem não devia confiar,

e nisso se perdeu, nisso errou.

Foi traída por pessoas que nunca imaginou,

e o que era íntimo deixou de ser só dela.

 

Então a dor voltou... não por acaso,

mas por palavras lançadas sem abraço.

Voltou pelas pessoas que espalharam,

pelo que ouviram torto e distorceram

Com maldosos comentários.

 

Voltou pelos poemas que quiseram adivinhar,

decifrar versos sem nunca perguntar.

Ninguém perguntou. Só julgaram.

Tentaram decifrar o que nunca viveram.

Claro ... Pessoas "santas",  nunca erraram...escondidas atrás de máscaras...

 

Ela não era de prejudicar.

Se quisesse, teria feito.

Mas não fez. Não faz. Não faria.

Protegeu o que pôde — e continuou protegendo.

 

Protegeu histórias, pessoas, verdades,

até quem não teve com ela lealdade.

Protegeu o silêncio, mesmo doendo,

mesmo se ferindo por dentro.

 

Naquele ano, a dor finalmente se foi.

E por isso ela resolveu escrever.

Escreveu quando a ferida cicatrizou,

quando a palavra virou brisa.

 

Talvez porque, hoje em dia,

sentir tenha virado algo incomum.

Não existiam mais fantasias,

nem dragões, nem vampiros, nem feiticeiros ..

só a pressa,o raso, o comum.

 

Não havia mais bondade gratuita,

nem encantamento, nem poesia bonita.

Não havia mais o acaso que aproxima,

nem um beijo simples, sem compromisso, sem dívida.

 

Ela era assim:

Doava-se inteira

a quem era amigo, de verdade,

sem cálculo, sem maldade.

 

Se precisassem dela, era só chamar.

Ela estaria ali ... pra ajudar ou desabafar.

Não gostava...

e não era de julgar.

Sabia que cada um na vida carrega o que consegue suportar.

 

Às vezes, ela só queria ser sentida.

Não explicada. Não decifrada. Não ferida.

Queria se sentir desejada,

com a autoestima leve, elevada.

 

Às vezes tinha vontade de um abraço,

de um beijo simples, sem espaço

pra jogos, promessas ou interesse escondido,

só pra se sentir viva… existir no sentido.

 

E ela ficava pensando, no eco da solidão:

será que era vista, ou só imaginação?

Será que era desejada, de verdade?

Ou se tivesse dito não .

 

Era interessante pra alguém ficar,

ou só alguém fácil de depois deixar?

O que será que havia nela

pra alguém estar ao seu lado

e não ter vontade de beijá-la?

 

O eu dela no singular,

sozinho no meio do lugar.

Será que não tinha beleza?

Será que não sabia conversar com leveza?

 

Achava que nem sabia flertar.

Porque houve alguém que 

dizia querer beijá-la.

Mas num encontro 

Somente a fala ...

 

Ela não sabia se foi medo,

desinteresse, insegurança.

Não sabia se desencanou,

se não a achou bonita,

ou se simplesmente não era pra ser.

 

Só sabia que se sentiu mal.

E aquele silêncio também doeu.

 

Ela era assim.

Intensa, humana, real.

Às vezes forte, às vezes frágil,

mas nunca superficial.

 

Silêncio quando precisava,

palavra quando transbordava.

Apaixonada pela vida... mesmo cansada,

mesmo quando tudo parecia torto.

 

E, naquele dia chuvoso,

no meio da própria calmaria,

ela aprendeu que sentir

não era fraqueza...

 

Era resistência.

Era poesia...

Nesse mundo sem fantasia 

Era ali que ela vivia.

  • Autor: Consulado (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 27 de janeiro de 2026 17:42
  • Comentário do autor sobre o poema: Fala um pouco.sibre a realidade.. e um pouco de imaginação... Fala de sentimentos .. e de emoção
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2
  • Usuários favoritos deste poema: LidyaMorgan, Ikalituc 🌻🍀


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