Crepúsculo, Lua Nova.

Brunna Keila




Setembro passou sem palavras, como páginas em branco na parede.
Outubro sentou ao meu lado, mas não soube ficar.
Novembro me ensinou que a ausência também faz barulho.
Dezembro chegou frio, e eu ainda esperava passos que não vinham.
Meu corpo ficou, mas o coração foi embora com quem partiu.
E no fundo desse silêncio, aprendi a existir sem ser vista.


Não durmo.
***
O lado da cama
continua ali.
Inteiro.
***
A noite respira
onde ele respirava.
***
Fecho os olhos —
ele não está.
Abro —
também não.
***
O quarto sabe
o formato do corpo
que me deixou.
***
O silêncio
repete o nome
que não digo.
***
Escuto passos.
Sempre acho
que são dele.
***
Nunca são.
***
Meu coração espera.
Meu corpo finge descanso.
***
A lua não me olha.
Eu também evito.
***
Fico acordada
para não sonhar
com o que fui
quando ele ficava.


(poema-resposta de Edward)
Eu te vi afundar onde eu não estava,
e cada dia longe
foi uma escolha que sangrou em mim.
Pensei que o amor pudesse proteger
à distância,
mas aprendi tarde demais
que ausência também machuca.
-+-
Enquanto eu vigiava sombras e perigos,
você enfrentava o vazio —
sozinha.
E o silêncio que deixei
não foi escudo,
foi peso.
-+-
Eu quis ser muro contra a dor,
mas virei porta fechada.
Quis ser cura,
e fui ferida que não se explica.
Há erros que não nascem da maldade,
mas do medo de amar demais.
-+-
Se hoje falo,
não é para pedir que esqueça,
nem para apagar o inverno que atravessei longe de você.
Falo porque entendi:
amar não é partir para salvar,
é ficar para sustentar.
-+-
Se ainda houver espaço no teu silêncio,
não para promessas eternas,
mas para presença verdadeira,
eu fico.
Não como quem foge do perigo,
mas como quem escolhe
não desaparecer outra vez.


Você volta com as mãos vazias de promessas,
e eu recebo com o peito ainda ferido de espera.
Não é perdão o que floresce aqui,
é coragem — a sua em ficar, a minha em deixar a porta aberta.
Aprendemos que amar não é certeza,
é escolha repetida a cada amanhecer.
E se o silêncio nos ensinou a dor,
talvez a presença nos ensine a cicatrizar juntos,
devagar,
sem pressa de virar história bonita.
Porque histórias bonitas mentem.
Histórias verdadeiras apenas respiram.

  • Autores: Brunna Keila (Pseudónimo, Bulaxa Kebrada, Sezar Kosta, Jairo Cícero
  • Visível: Todos os versos
  • Finalizado: 10 de fevereiro de 2026 23:30
  • Limite: 10 estrofes
  • Convidados: Público (qualquer usuário pode participar)
  • Comentário do autor sobre o poema: Sobre crepúsculo, lua nova, onde a Bella entra em depressão por causa de Edward.
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 8


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.