A apatia me matava com desgosto e eu me sentia menos humana por não conseguir sentir
O vento não conservava sua pressa
O sol não me queimava
E apesar de todas as ambições que se esvaíram com o tempo
Eu não me cansava de fugir de mim
Em um dia cinzento minha alma foi apagada
Da mesma forma que as cinzas se espalham pelo ar
Eu havia desaparecido de mim
Toda a montanha de gelo e o funeral que acorrentou com cadeados insultuosos os sentimentos que existiam em excesso dentro de algo que era possível ser nomeado "eu"
A bruxa do bosque e perseu morto com seu cavalo não foram capazes de deixar para trás nem mesmo uma maldição
Assim como os outros, eu não sou capaz de lembrar
Ilusório ou não, sou capaz de me reescrever
As marcas de caneta existem em minha pele e toda neve corre em minhas veias
Anos transcorreram mas a sua ausência ainda é sentida, não consigo dizer por quem
Ao me ausentar de mim assumi os riscos de todos os meus pecados, que foram muitos
Mas também assumi algo maior
Descobri algo que eu nem considerava existente
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Autor:
abacaxis soam como seu nome (
Offline) - Publicado: 26 de janeiro de 2026 20:42
- Comentário do autor sobre o poema: O início é na verdade o final e um título diz mais do que podemos aceitar, existe muito não dito por mim e não tenho exatamente medo mas é difícil acessar memórias de alguém que acabou deixando de existir e se tornando algo novo distante e diferente de quem era, quem nunca foi, porque eu não sou nada.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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