Nos cantos que traço em papel ou em mente,
há sempre um vestígio teu — sutil, latente.
Não dito, não claro, mas tão teu quanto meu,
como a brisa que passa e ninguém percebeu.
És o sopro etéreo por trás da emoção,
o fulgor velado em cada construção.
Nem rima, nem métrica ousam conter
a vastidão do que és sem sequer saber.
Não te chamo de musa — nome pequeno,
pra quem carrega um mundo tão pleno.
Tu és presença que paira e não pesa,
miragem que embriaga, perfume que reza.
Estás nas entrelinhas, no verbo calado,
no ponto suspenso, no grito velado.
Na dobra da página, no silêncio da fala,
na alma da estrofe que em mim se embala.
Se um dia notares um eco sutil
nas palavras que soam mais vastas que mil,
saberás — sem alarde, sem explicação —
que és a centelha por trás da canção.
Não te descrevo — faltar-me-ia ciência,
sobra-me arte, desejo e paciência.
Pois mesmo sem forma, contorno ou sinal,
és o que torna meu verso… imortal.
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Autor:
J.Cast (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 26 de janeiro de 2026 05:31
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: Jérsia Alexandra Castelo Castanheta, Apegaua

Offline)
Comentários1
Bravos, tão perfeita como as cores de um arco íris, para aqueles visto pela primeira vez.
Dizem e não fui eu, que quando coloca se suavidade nas palavras, agrada não a só um, mas a todos.
Bem gracioso ficou esse seu dito.
Ficar bem.
AP.
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