A dor da risada

Manuely Felippi

Ela tinha 15 anos. Era madura demais para a idade, mas não queria parecer madura; ela só era. Entendeu que, para viver nesse mundo, era mais fácil crescer e aprender do que sentar e esperar um milagre trazido pelo ar. Nada iria soar como melodia — nem mesmo o sol poente junto da corrente marítima.

A vida estava doente, mas não porque ela adoecia, e sim porque a ferida abria toda vez que ela sorria. Ela remoía o jeito que agia, tal como um pecador com seus pecados e um preso pelos seus atos. Ninguém pedia, ela só fazia; ninguém explicava, ela só entendia, sozinha.

Ninguém; apenas seus pensamentos, suas dores e seus medos, suas inseguranças e desejos. Adolescência perdida por anseios que ela nem tinha — pois nem seus eram. Onde a puseram? Sem lugar de fala, ela mal se explicava. Afinal, quem entenderia suas palavras?

  • Autor: Lilith (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 21 de janeiro de 2026 15:14
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 3


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