Você criou todo esse monstro, seu caos e destruição; você, a arquiteta da minha dor, da minha solitude - me envolveu em suas teias escuras e fortes, e como Hera à Hércules: coloco-me o castigo de lutar para ter o direito de ser quem sou. Você, aquela que tirou meu ar - minha liberdade, meu ser, meu futuro, você, o ser presente em meus pesadelos e frustrações; a quem me deixou à porta da igreja, ciao amore - a primeira e última palavra; despedaçou-me tal como às águias ao fígado de Prometeu, cujo seu único pecado fora o amor. Para você, a inquilina do meu caos, a causa da minha morte, do meu renascimento - desse meu conflito que me consome a cada lua, peço-lhe paz, uma paz que outrora fora nossa, agora transformou-se em suplício para o findar dessa imortalidade de dor e sofrimento. Deus criou monstros; você criou o meu caos - e a dualidade de conviver sob a linha tênue de um e outro. Para aquela que sob a luz do meu ser que, outrora de luz, agora decaído, assim como o perfeito Lúcifer - me tornei rebelde, confuso, solitário. Por você, Eurídice, eu iria até o hades [...] o hades talvez não seja o suficiente - eu iria até o tártaro, e lá, finalmente me encontraria com o flagelo, o caos perfeito. Eurídice, embora minha lira não seja literal, ouça os gritos de minha alma inquieta e ávida a sua espera; deixe-me ir, ou deixe-me ficar... essa é minha dualidade inquietante. Homero a fez para ser a destruição de Tróia; de fato você foi, mas como Menelau, jamais a deixei. Você não me destruiu, fez-me lembrar quem sou. Minha bela, doce e delicada Eurídice.
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Autor:
Filip Ulyanov (
Offline) - Publicado: 20 de janeiro de 2026 21:17
- Comentário do autor sobre o poema: A eterna dualidade entre o meu caos e meu espírito lírico - e inquebrável.
- Categoria: Triste
- Visualizações: 2

Offline)
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