Um dia...
Pisaram neste solo
uns pés fortes, decididos,
de sonhos e conquistas.
E aqui,
nestas pegadas,
nasceu uma planta miúda,
porém resistente, teimosa.
Sobreviveu às secas,
às intempéries, menos ao
Tempo.
Um dia suas raízes enfraqueceram
e ela tombou.
Rolaram neste solo
Amantes
de pouco amor
e muito prazer
de bocas e línguas
de corpos e encaixe...
E onde ficou a marca
de seus corpos nus,
o vento deitou sua força
mutante
e não restaram lembranças.
Umedeceu este solo
uma lágrima
de dor sentida,
e onde ficou seu vestígio
surgiu uma franzina e tortuosa
planta
de frutos venenosos
que em pouco tempo
pereceu.
Tombou neste solo
um derrotado
que nem tentou levantar-se
e no seu rastro de lesma
ficaram umas sementes.
E veio o sol,
mas não bastou.
E veio a chuva,
mas hora foi muita,
hora foi pouca.
E veio a seca
e nada aconteceu.
Um amor bonito
se fez neste solo.
Um amor
dos tempos antigos
de flores e poesia,
dos tempos modernos
de motéis e paixão,
de todos os tempos,
de todas as coisas!
E aqui desenvolveu-se
uma frondosa árvore
de raízes profundas
e frutos, muitos frutos
e flores.
Sobre este solo
desenrolou-se uma infância
de bolas, pipas, carrinhos,
heróis, estórias, bonecas,
Sonhos.
E aqui permaneceu
uma flor gasosa
que aparece e some
de vez em quando.
Uma flor “de mentira”
de um bom tempo
de verdade.
Cultivaram este solo
e ele retribuiu
aos suores
com os frutos da terra.
Sobre este solo
alguém esteve sozinho na luta
e sofreu a derrota,
mas outrem o reabilitou
e juntos trilharam
os gloriosos caminhos da vitória
num fraterno enlace de forças.
E aqui,
onde isto aconteceu,
pego a terra em minhas mãos
e sinto, em cada partícula,
a força da união.
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Autor:
eduardo cabette (
Offline) - Publicado: 20 de janeiro de 2026 14:24
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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