Utopia
(Rio Bonito, 06 de março de 2010 Juliana de Lima).
Minha alma é um melro,
De longas e agonizantes asas,
Arraigadas na lacuna de algo oculto.
Meu universo é um breu, iníquo,
Onde a solidão é um comodismo aprazível:
Individualmente coletivo.
Meus vícios são infrenes,
De existência diuturna!
Irada exclamo aos quatro ventos, ao léu (em vão):
“Há tantas rimas,
Tantas palavras soltas,
Que não cabem em mim,
São como vulcões em erupção…
Tenho ideias infindas,
Soturnas à minha volta
(Ruídos sem fim),
Lavas incontidas no coração".
Porém, há empecilhos…
Assim sendo, só uma voz,
Distinta me acalma : aquela que profere gritos (me instiga!).
Este melro procura algo
Expressivo e satisfatório:
Uma utopia da qual tanto discorrem,
Persuasivamente os hipócritas…
…Aquela douda sensação, provocada por miríficas canções, e dissolvida com a realidade
De mais um dia de caturrice alheia,
De quem já cansou de esperar por tal projeto:
Irrealizável.
A cada instante, preciso encontrar forças,
No fundo do âmago, para acalmar o impaciente Melro, que parece querer devorar-me,
Colerizando a insensatez.
Embora a incredulidade ronde meus dias,
A agonia do bater das asas deste negro padecer,
Consuma minhas madrugadas…
Vou versando este colossal amor,
Em silêncio, apenas com a voz da doce ilusão,
Com melodias da paixão existencial…
…A palavra mais sublime e ecoante que,
Permite as asas dementes
deste Melro resistir aos confrontos
Com o fado:
liberdade.
(Juliana de Lima).
-
Autor:
Ju Lufada (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 20 de janeiro de 2026 13:30
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.