Inteira

LidyaMorgan

Voltei à realidade, enfim desperta,

larguei a dor que me mantinha aberta.

Achei que era outro, um vulto, um ser qualquer,

mas vi: quem me feria… era eu, mulher.

Parei de olhar o chão com olhos cansados,

de corpo preso, de sonhos quebrados.

Troquei a carne pela visão da alma,

e onde era caos, encontrei calma.

Vi fogo puro sem medo da chama,

vi no inverno a alegria que inflama.

Descobri que a força que a alma contém

não se mede em músculos — vai além.

Nem dez ursos, nem fúria animal

se igualam ao espírito em luz real.

Entendi: o céu não ri da minha dor,

ele sorri ao ver meu passo sem temor.

As vozes duras não eram punhais,

eram ecos de lares que nunca foram paz.

Gente ferida, vazia por dentro,

deficiente em afeto, não em pensamento.

Eu recolhia tudo que me diminuía,

cada palavra torta que me feria.

Até cansar de sangrar calada,

de carregar cruz que não foi me dada.

Ninguém veio com mão estendida,

ninguém me abraçou salvando a vida.

Então acordei sem pedir perdão,

dei um tapa na cara — foi libertação.

Não de ódio, não de rancor,

mas de verdade, de amor maior.

Deixei a hipocrisia de fingir que não doía

e nasci inteira no dia em que me escolhia.

  • Autor: LDN (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 19 de janeiro de 2026 13:38
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
Comentários +

Comentários1

  • Noétrico

    Libertação por luta ou autoconhecimento? Uma verdadeira batalha travada para tomar as próprias rédeas.



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