Apressado por existir.

Pietra Figueiredo

Tenho pressa de amar

porque tenho sede de vida,

da emoção sem razão no ar.

Sou apressada, porque dói não amar.

 

Dói relembrar cada amor,

mesmo o que não chegou a ser.

Se não foi amor, foi paixão —

tenho rancor

 

daquelas que rasgam o peito

ao lembrar do calor.

Do sorriso.

Do domingo à tarde, em felicidade.

 

Vi carinho em sua doçura — paraíso.

Aconchego

num prédio alto da cidade.

Sou apressada para sentir e viver,

 

porque os dias são rápidos,

rápidos.

E a mente carece aprender

após um crescer interrompido, abatido.

 

As dores que senti, guardo

no bolso, como lembrança.

Rasgam-se como memória,

mas ficam.

 

A dor chama o que fomos,

a nostalgia acompanha.

Antiga companhia

de nós mesmos,

 

mesmo longe.

  • Autor: Pietra Figueiredo (Offline Offline)
  • Publicado: 18 de janeiro de 2026 22:14
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 2
Comentários +

Comentários1

  • Shmuel

    ..."As dores que senti, guardo
    no bolso, como lembrança.
    Rasgam-se como memória,
    mas ficam"...

    Que versos bonitos!
    Abraços



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