Carta do céu

victoremmanuel

Eu te vejo aqui de cima;
Descanse a minha cisma,
Antes que me alcances
Dentre tantos lances.

 

Como eu sei que resides no fim,
Continuo a te procurar em mim,
Mesmo que ainda se afaste tanto,
Apesar de me deixar em pranto.

 

Deixe-me te perguntar…
Sabias que o paraíso é lindo?
Sabias que as flores são todas as coisas que pensamos
E as pessoas são todas aquelas que um dia amamos?
E que, todavia, eu me encontro sozinho,
Pois só amei a ti?

 

Saiba, então, que 100 ou 1000 anos não me deixarão satisfeito,
Por mais forte e duro que fosse esse meu áspero peito.
Porque ainda sou fraco quando lembro que parti antes…
Antes sequer de beijar teu lindo beiço.

 

Então, Lisa, eu te digo:
Eu jamais renascerei até que nossas almas se reencontrem.
E só irei florescer quando os nossos corações se cruzarem
Noutra linda e próspera vida que nunca tivemos.

 

Com amor, do seu falecido amor.

carta do céu

  • Autor: victoremmanuel (Offline Offline)
  • Publicado: 18 de janeiro de 2026 21:41
  • Comentário do autor sobre o poema: Esse poema parecia que ia virar um soneto, mas tive uma ideia no meio do caminho. Cansei da minha forma de escrever. A forma sempre me limita, pois há coisas que vão além da forma. Enquanto o estilo estiver suportando a dor dos meus escritos, manterei a forma — e foi isso que fiz nas duas primeiras estrofes. Quando as palavras começaram a se tornar insuficientes, quebrei a forma e apelei para o discurso poético, insondável, que toca diretamente as emoções. Meus amigos, é assim que tentarei prosseguir. Farei poemas não tão belos, mas incrivelmente necessários.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3
Comentários +

Comentários1

  • Boreal

    Há alguns anos, escrevi um poema sobre o céu, e o meu e o seu poema parece que se encontram! Eu adorei as palavras que você usou

    • victoremmanuel

      Fico muito feliz com a sua visita, meu amigo. Volte sempre!

      Não sei se nossos poemas se encontram tanto, uma vez que o seu parece caracterizar e admirar o céu de cada dia. O meu, no entanto, fala de um céu metafísico (paraíso) e que é imperfeito como um todo, apesar de ser perfeito em sua essência. O que o torna tão imperfeito é o simples fato do eu-lírico estar sem o amor de sua vida ali.

      Se eu não tiver interpretado o seu errado, ele parece falar sobre uma região resultante da própria natureza do nosso universo, de um local para refúgio e contemplação. O meu, por outro lado, fala de um lugar metafísico belo, mas incompleto.

      Sinto que os dois não se substituem (não se assemelham), mas se complementam.



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