Narciso, o limitado.
Ofuscado pelo ego
Comecei eu, cego.
Dedicado à perfeição,
corrompido coração.
Enfrentei o desafio de Narciso.
Fui em busca do perfeito,
e em qualquer pensamento conciso
Perdi todas as fragilidades que tinha direito.
Perante a realidade imperfeita do humano
Eu era um negacionista,
Um covarde que fugia do amor soberano
Vivia o mundo como um individualista.
Amar alguém para além do espelho,
Perder o individualismo limitador,
É uma das primeiras curas
Para ter uma vida repleta de amor.
Porque o amor vive nas imperfeições,
nas nossas maiores fragilidades
Elas criam as melhores conexões,
construindo pontes entre as realidades.
Na partilha do sofrimento,
Na total das vulnerabilidades
Floresce um jardim repleto de acolhimento
Onde se semeiam todas estas verdades.
Limitado morreu o Narciso
Numa prisão colossalmente infernal
Sem nunca ter despido o colete de defesa
Teve uma morte insignificante, banal.
Narciso morreu afogado
Sem ninguém para o socorrer
Afogou-se no seu reflexo encantado
Uma forma muito triste de morrer
Ele morreu isolado
Sem ninguém para se preocupar
Nunca soube amar ou ser amado
Porque para amar é preciso saber cuidar.
É importante saber sofrer,
Partilhar as nossas inseguranças
O amor é a essência do viver
E de todas as mudanças.
Narciso não mudou,
permaneceu imutável
O que se diz perfeito não se molda,
mantém-se miserável.
Encantado com a sua perfeição
No seu reflexo ele se perdeu
Limitado pelo seu pequeno coração,
O pouco que era real, desapareceu.
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Autor:
João Jesus (
Offline) - Publicado: 16 de janeiro de 2026 00:13
- Categoria: Não classificado
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