Narciso, o limitado.

João Jesus

Narciso, o limitado.

 

Ofuscado pelo ego

Comecei eu, cego.

Dedicado à perfeição,

corrompido coração.

 

Enfrentei o desafio de Narciso.

Fui em busca do perfeito,

e em qualquer pensamento conciso

Perdi todas as fragilidades que tinha direito.

 

Perante a realidade imperfeita do humano

Eu era um negacionista,

Um covarde que fugia do amor soberano

Vivia o mundo como um individualista.

 

Amar alguém para além do espelho,

Perder o individualismo limitador,

É uma das primeiras curas

Para ter uma vida repleta de amor.

 

Porque o amor vive nas imperfeições, 

nas nossas maiores fragilidades 

Elas criam as melhores conexões, 

construindo pontes entre as realidades.

 

Na partilha do sofrimento,

Na total das vulnerabilidades

Floresce um jardim repleto de acolhimento

Onde se semeiam todas estas verdades.

 

Limitado morreu o Narciso

Numa prisão colossalmente infernal

Sem nunca ter despido o colete de defesa

Teve uma morte insignificante, banal.

 

Narciso morreu afogado

Sem ninguém para o socorrer 

Afogou-se no seu reflexo encantado

Uma forma muito triste de morrer

 

Ele morreu isolado

Sem ninguém para se preocupar

Nunca soube amar ou ser amado 

Porque para amar é preciso saber cuidar.

 

É importante saber sofrer,

Partilhar as nossas inseguranças 

O amor é a essência do viver

E de todas as mudanças.



Narciso não mudou,

permaneceu imutável 

O que se diz perfeito não se molda,

mantém-se miserável.

 

Encantado com a sua perfeição

No seu reflexo ele se perdeu

Limitado pelo seu pequeno coração,

O pouco que era real, desapareceu.

  • Autor: João Jesus (Offline Offline)
  • Publicado: 16 de janeiro de 2026 00:13
  • Categoria: Não classificado
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