Tenho a impressão
dos meus deja-vus
serem reais
Isso é frequente
em situações banais
por exemplo, sempre lembro
do esperançoso e ansioso começo
Portava-me feito gesso
estava só esqueleto
um agrado aos familiares
sem êxito
Nasceu um trauma
o trauma cresceu calado
não foi ao menos
consultado
Voltando a mim
primeiros dias
seguem sendo cupins
prazer, sou madeira
Sigo suando
o dia inteiro
'Rio, quarenta graus'
não é exagero
De qualquer forma
conquistei o apreço biológico
de parecer com um Salgueiro Anão
(ah, não)
Posso parecer ingrata
terrivelmente mal amada
mas caramba
o que custava
Para o imenso universo
dar-me uma coluna
mais ereta, mais correta
mais 10 centímetros
deixariam-me satisfeita
Porém, cresci pouco
assistindo desenhos
na Cartoon Network
Na maioria das obras
Bárbara Mattel
dizia, sorridente
com um coquetel
em mãos
'You can be anything'
jurava ter
escutado 'nothing'
Superstições
fico em cima desse muro
apoio e simultaneamente
acho um pouco absurdo
É refrescante poder
escrever sobre esses absurdos
pessoas, fobias, apelidos
sem ser profundo
Para alguém
cuja média é oito
isso é praticamente
um biscoito
(biscoito, não bolacha)
Curto a única licença
que tenho, enquanto
não me identificam
entre poetisas da realidade
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Autor:
Nanda Costa (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 14 de janeiro de 2026 16:11
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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