CIDADE MORENA

Ozana Anjos Santana

No coração do Centro, sob o céu de anil,
ergue-se morena, formosa e sutil.
Campo Grande é canto, é raiz, é chão,
terra que pulsa no peito da nação.

 

José Antônio Pereira, de olhar pioneiro,
viu na confluência um sonho inteiro.
Entre o Prosa e o Segredo, ergueu o viver,
fundou teu destino, moldou teu saber.

 

Das trilhas antigas ao apito do trem,
ecoou o progresso que o tempo retém.
Quando o Estado nasceu em nova fronteira,
fizeste-te alma, tornaste-te inteira.

 

Cidade planejada, de avenidas e flor,
arborizada em verde e cor.
No ipê que floresce, a alma se abranda,
bela e serena, ó Campo Grande!

 

Tuas gentes se misturam em doce canção:
índios, mineiros, japoneses, irmãos.
Paraguaios, bolivianos, sulistas também,
tecem tua história que nunca tem fim.

 

O Parque das Nações em viva harmonia
guarda memórias, cultura e alegria.
O Bioparque brilha em azul cristalino,
mostrando o Pantanal em caminho divino.

 

Na Praça das Araras, o encanto é fiel,
as cores dançam sob o vasto céu.
No Lago do Amor, o sossego mora,
e o vento no rosto embala a aurora.

 

O Belmar Fidalgo é festa e lazer,
quadras e risos a florescer.
E no Parque dos Poderes, entre canto e alvor,
a cidade respira trabalho e amor.

 

Nos museus da história, o tempo fala:
Dom Bosco, MARCO, memória que embala.
A Aldeia Marçal, sagrada presença,
guarda a herança, a força, a crença.

 

Morada dos Baís, em noite serena,
une cultura, sabor e cena.
E o Santuário, com fé e emoção,
acolhe o povo em devoção.

 

A Catedral reluz, Senhora da Conceição,
símbolo vivo da fé em união.
O povo celebra, o tereré compartilha,
em cada gesto, a paz se perfilha.

 

Na mesa, o sabor é pura união:
sobá e chipa, arroz e feijão.
Sopa paraguaia, pintado e calor,
sabores que lembram trabalho e amor.

 

Ao som da viola, o povo se anima,
entre o chamamé e a moda caipira.
No Arraial de Santo Antônio, a fé se enfeita,
e o Banho de São João renova a colheita.

 

Capivaras passeiam, livres e fiéis,
entre ipês dourados e vastos céus.
Cidade Morena, de coração aberto,
és poema vivido, és lar descoberto.

 

Mato Grosso do Sul, teu canto ecoou,
na viola, no vento, no povo que amou.
És mistura bendita, canção infinita,
terra morena, gentil e bonita.

 

Entre o ontem e o amanhã, tua gente semeia,
um futuro que canta, trabalha e anseia.
És poema bordado de mil cores,
Campo Grande  jardim de amores.

  • Autor: Ozana Anjos Santana (Offline Offline)
  • Publicado: 13 de janeiro de 2026 21:58
  • Comentário do autor sobre o poema: Sua origem pioneira, seu crescimento planejado e sua convivência harmoniosa com o meio ambiente, o texto destaca a força de seu povo, formado por diferentes culturas e tradições. A cidade é retratada como um lugar onde memória, fé, cotidiano, trabalho e alegria se entrelaçam, fazendo de Campo Grande não apenas um território geográfico, mas um poema vivo, construído por afetos, raízes e esperança no futuro.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


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