Presságio

SADE

Entro.
Não como visita
como presságio.

Você me sente primeiro no ventre,
um calor que não pede permissão,
uma lentidão densa
que faz o tempo inclinar a cabeça
antes de tocar sua pele.

Eu chego por trás da tua respiração.
Ela falha.
Não por medo
por expectativa.

Minha presença se aproxima
até virar certeza.
Você não olha.
Você sabe.

Minhas mãos desenham caminhos
que teu corpo reconhece
como se já tivesse sonhado comigo
antes mesmo de existir esta cena.
Cada gesto é lento,
calculado para te fazer esquecer
onde termina o pensamento
e começa a vontade.

Você se deixa guiar.
Não porque é fraca
mas porque deseja
não decidir por alguns instantes.

Teu corpo responde inteiro.
Quadris que cedem,
costas que se arqueiam
como quem pede mais
sem precisar falar.
O prazer cresce em camadas,
não explode
se aprofunda.

Eu te mantenho ali,
suspensa entre o pedir e o receber,
até que teu próprio corpo
confesse por você
o quanto quer continuar.

Aqui, você não é observada.
Você é sentida.
Cada reação tua
é parte do ritual.
Cada suspiro,
uma assinatura invisível
de consentimento e desejo.

E quando você finalmente se abandona,
não é perda.
É encontro.

Você se reconhece nesse lugar escuro,
quente, intenso,
onde ser conduzida
é também ser escolhida.

E quando a cena termina,
e você não se solta.

Minhas amarras ficam no teu corpo,
na memória,
naquela sensação íntima
de que, vai ter tudo de novo,
você voltar a fechar os olhos
 só para sentir tudo outra vez.

  • Autor: SADE (Offline Offline)
  • Publicado: 13 de janeiro de 2026 09:42
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


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