O verão não pede licença.
Ele chega abrindo o corpo dos dias,
sal grosso no ar,
riso solto nas calçadas,
uma promessa simples:
hoje ninguém vai caber inteiro em si.
A praia ferve de presença.
Pés descalços aprendem outra língua,
ombros brilham,
o tempo esquece os relógios
e se estica como um gato ao sol.
Tudo é excesso bom.
O calor cola a pele ao mundo,
as cores ficam mais próximas,
e até o silêncio soa feliz
entre uma onda e outra.
Então a tarde muda de humor.
Nuvens sobem rápido,
o céu ensaia seus dramas,
e o vento passa correndo
como quem anuncia segredo.
A chuva cai quente, breve,
lavando o pó dos pensamentos.
As pessoas não fogem,
elas dançam, riem,
aceitam o banho como quem diz sim
sem perguntar a quê.
Depois, o céu se abre em camadas.
Rosas, laranjas, violetas,
um arco-íris torto
como se tivesse sido feito às pressas
só para não perder o momento.
Tudo pulsa.
Não há falta.
Não há depois.
Só esse agora largo,
esse prazer de estar vivo
sem precisar justificar.
O corpo entende antes da mente:
há dias feitos para durar pouco
e se alojar fundo.
O verão sabe disso.
Por isso passa ardendo,
deixa rastro,
deixa sede,
deixa essa vontade estranha
de abraçar a vida
como se ela fosse intensa demais
para ser guardada.
E talvez seja.
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Autor:
Amanda Suita (
Offline) - Publicado: 13 de janeiro de 2026 07:59
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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