Peixinhôôôôô! Coisa boa!
Sardinha, corvina, xerelete, peixe-galo
Aviso de peixe chegando...
Praia do peixe.
Rua do peixe.
Mercado do peixe.
Restaurante do peixe,
preço salgado, diz o garçom,
reparando na vestimenta.
Aê o limão do Mato Grosso!
Casca fina, caldo grosso.
peixe, limão, clássica combinação,
cientificogastropoeticamente.
Ah, os pregões da política.
ouvindo pregões,
aprendi a não ser o estrondoso mar,
mas, suaviloquente,
envolver com as palavras.
e as mulheres dizendo:
a gente não quer comprar,
mas acaba comprando;
a gente não quer rir,
mas acaba rindo.
Peixeirôôôôô! Coisa boa!
Sardinha, corvina, xerelete, peixe-pedra.
No cais, carregadores de pedras de lastro
para dar estabilidade aos navios.
não o homem sobre a pedra,
mas a pedra sobre o homem.
e vieram as águas de lastro
e as mágoas do desemprego.
Peixinhôôôôô! Coisa boa!
Sardinha, corvina, xerelete, namorado
No jogo do navio,
há quem se jogue no mar por amor:
Noiva pula no comandante,
pula, no mar, o tripulante.
Peixinhôôôôô! Coisa boa!
Sardinha, corvina, xerelete, peixe-livro
o cargueiro chegando da Espanha,
trazendo o livro de Walter F. Otto,
Las Musas, del habla y del Canto.
Peixeirôôôôô! Coisa boa!
Sardinha, corvina, xerelete, peixe-galo
pelos mares navios de 20 andares
vieram por suas rotas fixas,
e, do altíssimo Queen Mary II,
a vi descer com olhos brilhantes,
carne firme de tainha fresca.
tarde lírica e romanesca.
seu perfume na praça,
o mar não tem destino.
Peixinhôôôôô! Coisa boa!
Sardinha, corvina, xerelete, peixe-espada
Nos Cruzeiros Literários
vem o Fogo de Santelmo,
ilumina muitos elmos,
anuncia tempestades.
aviso do peixe chegando
assado
no fogo dos fuzis
-
Autor:
LASANA LUKATA (
Offline) - Publicado: 12 de janeiro de 2026 18:45
- Comentário do autor sobre o poema: o coração oculto do poema.\\\\r\\\\nESTE poema nasce de uma afetividade concreta, doméstica:\\\\r\\\\no peixeiro subindo o morro, Seu Antônio Peixeiro, sabia do meu gosto infantil pelo peixe-galo.\\\\r\\\\no que vi no peixe-galo? Não tinha carne! não foi a carne, foi o olhar. O peixe-galo tem olhos grandes, vítreos, brilhantes, quase desproporcionais.\\\\r\\\\nPara mim, aquilo foi presença, espanto, uma espécie de vigília. Eu não comia proteína, olhava um olhar. A balança. A balança de um prato só, presa por três correntes, tornou-se objeto-poema naquele precário equilíbrio da minha vida suspensa por madrasta, tudo medido no ar. é claro que o poema se torna outra coisa. A verdade é que hoje não como mais peixe-galo porque deixou de ser comida.\\\\r\\\\nVirou:\\\\r\\\\n• memória,\\\\r\\\\n• rosto,\\\\r\\\\n• testemunha.\\\\r\\\\nmais ainda sou o menino do morro.
- Categoria: SociopolÃtico
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Offline)
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