Entre o fim e o instante

Gabriel Haun


A vida não avisa quando chega,
ela apenas acontece —
um sopro quente no frio do nada,
um coração aprendendo a bater sem mapa.
Crescemos acreditando no amanhã
como se fosse infinito,
mas o tempo, silencioso,
nos ensina a contar em despedidas.
A morte não é um monstro gritante,
é um sussurro paciente,
uma porta entreaberta
que lembra: tudo o que vive, passa.
E ainda assim, amamos.
Amamos como quem desafia o abismo,
como quem acende uma vela
sabendo que o vento existe.
Amamos porque é o único milagre repetível.
O amor é o que fica quando o corpo falha,
o que sobrevive à carne e ao medo,
uma memória quente
num universo que esfria sem pressa.
Se a vida é breve
e a morte é certa,
então amar não é escolha —
é resistência.
E talvez o sentido de tudo
não seja durar,
mas sentir profundamente
antes que a luz se apague.

  • Autores: Gabriel Haun
  • Visível: Todos os versos
  • Finalizado: 27 de janeiro de 2026 09:30
  • Limite: 6 estrofes
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  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4


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