JORRO

SADE

Jorro

Há algo em mim que não pede licença
espera.
Observa.
Reconhece o momento exato
em que tua alma cansa de ser luz
e deseja o escuro como abrigo.

Sou Dominador porque carrego silêncio nas mãos.
Porque sei que o desejo verdadeiro
não grita
lateja.
Apodrece devagar
até implorar por forma.

Quando fecho a porta,
o mundo perde o nome.
Aqui dentro,
não existe moral,
existe pulsação.
Existe o acordo mudo
entre quem quer cair
e quem sabe segurar pela garganta do medo.

Te olho como quem contempla um altar profano.
Tua beleza não é limpa
é viva.
É carne atravessada por pensamento,
é delicadeza manchada de vontade,
é a fome escondida atrás dos olhos
que fingem não pedir nada.

Eu te subjugo porque te enxergo.
Porque reconheço no teu corpo
a urgência de ser tomada
não por pressa,
mas por profundidade.
Te conduzo para baixo
como quem leva alguém
ao centro de si mesma.

A coleira pesa
não no pescoço,
mas na consciência.
Livre
“totalmente entregue em corpo e alma feminina .”
E nesse alívio sujo,
nessa rendição consciente,
teu prazer floresce no escuro
como algo proibido e belo demais.

Meus nós apertam pensamentos,
não apenas pulsos.
Cada laço é um lembrete:
o controle também pode ser cuidado.
A imobilidade revela verdades
que o movimento esconde.

Algemas não te silenciam
te rasgam por dentro.
Elas arrancam a ilusão de escolha
para que reste apenas o sentir cru,
nu,
indefensável.

E eu amo isso.
Amo quando tua respiração trai
o que tua voz tenta esconder.
Amo ser o guardião
das fantasias que você enterrou fundo demais
para admitir em voz alta.

Não te domino por ego.
Te domino por devoção obscura.
Porque quero ser aquele
que segura teu lado mais sujo
sem pedir que ele se lave.

Sou rei apenas enquanto você consente,
carrasco apenas do que você oferece,
e algoz apenas do medo
que te impede de se entregar inteira.

E quando tudo termina,
quando o escuro se acalma,
é minha obrigação devolver tua pele ao mundo
com marcas invisíveis
que só nós dois reconhecemos.

Porque o verdadeiro domínio
não termina no controle
termina no cuidado silencioso
de quem soube te quebrar por dentro
sem jamais te destruir.

Nada começa no toque.
Começa no instante em que teu corpo
aceita ser visto
sem a mentira da delicadeza.

Há em ti uma arquitetura secreta,
portas que não se anunciam,
passagens que só se abrem
quando o desejo deixa de pedir desculpa.

Quando te coloco diante de mim,
não escolho o que amar.
Aceito tudo.
Alturas, profundidades, centros.
Nada em ti me assusta.
Nada em ti me é neutro.

Antes de conduzir,
eu me aproximo.
Desço não como quem se diminui,
mas como quem entende
que o poder também sabe servir.

Minha boca não invade ...
escuta.
Ela aprende teu ritmo,
teu calor,
teu modo particular de responder
quando o prazer é paciente
e insistente.

Há algo profundamente íntimo
em começar por onde teu corpo
mais se revela.
Ali, tua respiração muda,
teus pensamentos cedem,
e o ritual começa a te atravessar
sem retorno.

Quando te amarro,
não retiro tua liberdade
retiro o ruído.

Teu corpo contido
se torna mais honesto.
Cada reação ganha peso.
Cada suspiro ecoa.

As cordas escrevem no ar
o desenho da tua entrega.
Elas dizem:
“Agora não há fuga do sentir.”

E na imobilidade,
teu prazer cresce denso,
quase cruel,
pedindo continuação.

Há em ti um lugar
que exige mais que vontade.
Exige coragem.

É ali que o prazer deixa de ser leve
e se torna intenso,
cheio,
definitivo.

Quando conduzo teu corpo até esse ponto,
não o faço com pressa.
Faço com firmeza,
com consciência do peso do gesto,
com respeito pela vulnerabilidade
que só a entrega total permite.

É um encontro que não admite superficialidade.
Ou se vai inteiro,
ou não se vai.

 

Existe ainda o ponto
onde teu corpo pede constância.
Onde o prazer não quer pausa,
quer presença contínua,
ritmo que sustente,
calor que permaneça.

Ali, meu domínio se afirma.
Não pela força,
mas pela capacidade de manter
o que teu corpo implora
sem precisar pedir em voz alta.

Teu corpo responde,
confirma,
se molda ao comando
porque deseja ser guiado
até o limite do próprio sentir.

 

A coleira não é ornamento.
É foco absoluto.

Ela concentra teu desejo
num único eixo:
meu comando atento.

Com ela, teu corpo descansa
da decisão.
Entrega-se à condução
com a tranquilidade de quem sabe
que não será abandonada
no meio do escuro.

Tudo em ti foi chamado.
Nada ficou de fora.

Alturas reverenciadas,
profundidades atravessadas,
centros sustentados
até que teu corpo não saiba mais
onde termina o controle
e começa o abandono.

O ritual se completa
quando tua entrega deixa de ser esforço
e se torna necessidade.

Quando desfaço os nós,
não desfaço o que houve.
Apenas retiro os símbolos.

Te devolvo ao mundo
com o corpo em silêncio
e a mente marcada
pela certeza de ter sido desejada
sem reservas,
sem censura,
sem medo.

Dominar, para mim,
é isso:
amar a mulher inteira
boca, profundidade, centro
como um território sagrado
que só se atravessa
com permissão,
presença
e devoção.

Há um instante
em que teu corpo deixa de resistir
até à própria entrega.

Não é pedido.
Não é comando.
É o colapso doce
de tudo que foi sustentado
tempo demais.

Teu corpo se arqueia
como se descobrisse, tarde demais,
que não havia retorno possível.
A respiração se quebra.
O controle se dissolve
sem aviso.

E então acontece —
não como explosão vulgar,
mas como inundação.
Um transbordar involuntário,
surpreendente até para ti,
como se teu corpo tivesse decidido
antes da tua mente.

Teus olhos se abrem
num susto silencioso.
Não esperavas sentir tanto.
Não esperavas perder-se assim.
Não esperavas que o prazer
te atravessasse com essa força
quase indigna de ser contida.

E eu vejo.
Eu sustento.
Não acelero nem recuo.
Apenas permaneço
enquanto teu corpo aprende
o que é ir além
do que imaginava suportar.

Depois, há silêncio.
Um silêncio pesado,
satisfeito,
cheio de sentido.

Teu corpo ainda responde
em pequenos espasmos tardios,
como se não acreditasse
que acabou.
Ou talvez como se soubesse
que algo mudou.

Teu olhar me procura
não por comando,
mas por confirmação:
foi real.

E eu te devolvo
um toque calmo,
um gesto firme,
a certeza de que foste vista
no momento exato
em que te perdeste.

O ritual se encerra aí.
Não no gozo,
mas na consciência posterior
de ter atravessado algo
irreversível.

Porque o verdadeiro domínio
não é provocar a entrega
é estar presente
quando ela acontece
sem aviso,
sem defesa,
inteira

Em pleno prazer de vê-la jorrar em gozo

Ao sentir o tremer das suas pernas labujadas

e todo sabor da sua vagina que pulsa em seu  jorro ... 

  • Autor: SADE (Offline Offline)
  • Publicado: 10 de janeiro de 2026 10:08
  • Categoria: Erótico
  • Visualizações: 7


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